Há uma continuidade divina que atravessa
toda a Escritura, desde Gênesis a Apocalipse. E não se trata de um conceito
recente ou apenas de uma estratégia eclesiástica: "fazer discípulos é o
objetivo principal de Deus". Para isso, precisamos olhar para dois textos,
separados por muitos séculos, mas que manifestam uma espantosa unidade
teológica entre eles.
Gênesis 1:27-28, nos revela que Deus
criou o ser humano à Sua imagem e semelhança, e lhes deu uma ordem: "Sede
fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra." Esse não era simplesmente um
comando de reprodução biológica. Era um chamado para multiplicar a imagem de
Deus na Terra. Adão e Eva foram os primeiros discípulos, seres criados à imagem
do Criador e convidados a espelhar Seus traços em todas as suas ações.
Séculos mais tarde, Paulo afirma em
Romanos 8:28-29: "Sabemos que Deus envelhece em todas as coisas para o bem
daqueles que o amam... pois aos que de antemão conheceu, também os predestinou
para serem conformes à imagem de seu Filho." Aqui se realiza a vontade
divina: "Deus está moldando pessoas à semelhança de Cristo". O
propósito não mudou; apenas foi revelado em sua plenitude. Fazer discípulos,
portanto, não é um programa opcional da Igreja. Consiste na continuação do
primeiro objetivo de Deus: continuar levando adiante Sua imagem em todo o mundo
durante o tempo presente através de vidas transformadas. No livro
"Escolhido por Deus", o conhecido teólogo RC Sproul disse: "O
propósito último de Deus na eleição é mais que nos salvar do inferno. É nos
conformar à imagem de Seu Filho."
Deus quer qualidade e quantidade em Sua
Família. Uma pergunta bem comum é: "Deus prefere qualidade ou
quantidade?" A resposta bíblica é clara: Deus quer ambas. Não há uma
dicotomia verdadeira aqui. Deus almeja uma família numerosa, aqueles que virão
de todas as nações, línguas e povos (Apocalipse 7:9). Mas deseja também uma
família de qualidade, discípulos que verdadeiramente refletem o caráter de
Cristo em suas vidas cotidianas. Não é suficiente ter nomes em um rol de
membros de uma igreja qualquer; é necessário ter corações transformados. A
Grande Comissão de Jesus (Mateus 28:19-20) não diz "faça
convertidos". Diz “faça discípulos". Um convertido pode ser uma
decisão momentânea; um discípulo é uma vida de compromisso contínuo. Discípulos
são aqueles que aprendem, crescem, obedecem e, por sua vez, ensinam a outros.
Nisto reside a qualidade.
A missão da igreja é cumprir o propósito
de Deus. A Igreja existe para uma razão específica: “ser agente do plano de
Deus na história”. Não é uma instituição para proveito próprio, nem um clube de
religiosos. É o corpo de Cristo em ação. Quando a Igreja compreende que seu
chamado é fazer discípulos, pessoas transformadas, educadas na Palavra,
amadurecidas na fé, ela deixa de ser uma multidão amorfa e se torna uma força
transformadora. Uma congregação de discípulos impacta famílias, comunidades e
nações. A história eclesiástica comprova isso: reavivamentos genuínos sempre
envolvem a multiplicação de discípulos genuínos. A missão não é adicionar
números aos registros. É “multiplicar vidas que se multiplicam vidas”. Um
discípulo verdadeiro não apenas segue a Cristo; ajuda outros a fazê-lo.
A Verdadeira Igreja de Jesus é formada
de Discípulos. Aqui chegamos ao ponto crítico: “a Igreja verdadeira de Jesus é
feita de discípulos, não de espectadores”. Muitas congregações confundem-se com
templos repletos ou listas de membros. Mas Jesus não disse:
"Bem-aventurado aquele que frequenta a sinagoga". Ele chamou pessoas
para o discipulado. A Igreja é uma comunidade de “aprendizes de Cristo”,
pessoas comprometidas em deixar tudo para segui-Lo (Lucas 14:26-27).Uma Igreja
genuína faz perguntas difíceis: Nossos membros estão sendo transformados? Estão
crescendo em santidade? Estão multiplicando discípulos? Se a resposta é não,
talvez tenhamos confundido atividade religiosa com verdadeiro discipulado. O
Pastor Timothy Keller, em sua obra: Igreja Centrada: Desenvolvendo um
Ministério Equilibrado e Centrado no Evangelho em sua Cidade, fez uma afirmação
pertinente sobre o papel da igreja: "A igreja não é simplesmente uma
coleção de indivíduos que por acaso acreditam nas mesmas coisas. É uma
comunidade chamada a ser um sinal, um antegozo e um instrumento do reino de
Deus no mundo, transformando vidas e cultura."
Uma convocação urgente! Vivemos em um
tempo de cristianismo morno e superficial. Precisamos de uma “ressurreição do
conceito bíblico de discipulado”. Isso exige que pastores, líderes e crentes
ordinários assimilem a verdade simples: Deus nos chamou não apenas para sermos
salvos, mas para “nos tornarmos como Cristo e ajudar outros a fazer o mesmo”.
Essa é a missão. Esse é o propósito. Essa é a Igreja que Jesus projetou.
Rev. Liberato Pereira dos Santos
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