1 João 4:7-12
A vivência do amor ao
próximo deveria ser uma das marcas distintivas e decisivas do cristianismo. Não
se deve dizer que a fé cristã consiste em dogmas teóricos ou em rituais
exteriores, mas sim que ela se concretiza no modo como nos relacionamos entre
nós. João diz o mesmo em sua epístola, ao declarar: “Se alguém diz: ‘Eu amo a
Deus', e odeia a seu irmão, é mentiroso”.
Se você diz professar a
fé em Cristo, a consequência deve ser naturalmente amar o seu próximo, já que
Ele nos amou primeiro, porque, quando Deus nos alcançou, não éramos amáveis, e
sendo homens, e como tal, cheios de defeitos e falhas. Entretanto, o Senhor
olha além dos nossos defeitos e enxerga a nossa profunda necessidade
espiritual. Todos necessitamos continuamente do Seu amor transformador e da Sua
graça imerecida.
O mundo ao nosso redor
observa a Igreja e os cristãos como um sinal visível da pessoa de Jesus. Diante
de tantas incertezas, divisões e egoísmo na sociedade, as pessoas perguntam:
Quem é Ele de verdade? Do que se trata, em essência, o cristianismo? A resposta
das Escrituras é clara: Deus é amor, e o cristianismo é a vivência desse amor
genuíno pelos irmãos na fé e por todos os homens. Este padrão foi dado pelo
próprio Jesus aos seus discípulos, quando lhes disse: "Nisto todos
conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros."
De que maneiras
práticas, portanto, podemos demonstrar esse amor de Cristo no nosso dia a dia?
1. Aceitando-nos uns
aos outros sem distinção.
O amor cristão quebra
barreiras sociais, preconceitos e marcas do passado. Uma das ilustrações mais
belas dessa aceitação está no livro de Filémon, em que o apóstolo Paulo escreve
a respeito de Onésimo. Onésimo era um escravo fugitivo que pertencia a Filémon.
Alguém que, segundo os padrões da época, possuía uma posição social baixa e má
reputação. Ao fugir, ele encontrou-se com Paulo, converteu-se ao evangelho e
passou a cuidar do apóstolo na prisão.
Paulo envia uma carta a
Filémon exortando-o a receber Onésimo não mais como um escravo, mas como um
irmão amado no Senhor: “Se você me considera um parceiro, receba-o como me
receberia.” Paulo eleva um marginalizado à dignidade de um irmão valioso.
Será que estamos
realmente aceitando as pessoas como elas são ou tendemos a discriminar com quem
nos relacionamos? O apóstolo Tiago nos adverte severamente contra a acepção de
pessoas (Tiago 2:1-5). Ele contrasta o tratamento dado a um homem rico em trajes
elegantes com o desdém dado a um necessitado em panos sujos. Quando fazemos
distinção, tornamo-nos juízes de maus pensamentos. A Bíblia nos lembra que Deus
frequentemente escolhe os desfavorecidos do mundo para serem ricos na fé e
herdeiros do Seu Reino.
2. Sendo pacientes e
suportando-nos em amor,
A convivência humana na
comunidade de fé nem sempre é simples. Em Efésios 4:1-3, Paulo exorta os
crentes a viverem uma vida digna do chamado, agindo com toda a humildade,
gentileza e paciência, “suportando uns aos outros com amor” e fazendo
todo o possível para manter a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.
Pessoas diferentes
possuem opiniões e personalidades distintas, e conflitos podem surgir. Contudo,
o amor de Cristo nos ensina a exercitar a paciência, colocando a manutenção da
paz e da comunhão acima da razão pessoal.
3. Perdoando-nos
mutuamente e buscando a reconciliação
Quando divergências
resultam em ofensas ou feridas, o amor nos chama ao perdão. Em Colossenses
3:13-14, somos instruídos: “Aguentem uns aos outros e perdoem quaisquer
queixas que possam ter uns contra os outros. Perdoe, assim como o Senhor te
perdoou.”
Na oração do Pai Nosso,
declaramos frequentemente: “Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós
perdoamos a quem nos ofende.” No entanto, o coração humano por vezes tenta
abrir exceções. Quando Pedro perguntou a Jesus se deveria perdoar seu irmão até
sete vezes, a resposta do Mestre ultrapassou qualquer limite humano: “Até
setenta vezes sete.” Além disso, a Bíblia ensina que, se nos lembrarmos de
que um irmão tem algo contra nós, devemos buscar a reconciliação antes mesmo de
apresentarmos nossa adoração no altar.
4. Colocando as
necessidades dos outros acima das nossas.
Em Gálatas 5:13-14,
somos lembrados de que fomos chamados para a liberdade, mas essa liberdade não
deve ser usada para satisfazer os desejos do egoísmo ou da natureza pecaminosa.
Pelo contrário, devemos servir uns aos outros com amor, pois toda a lei se resume
no mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” Servir ao próximo é
a demonstração prática de que a graça de Deus transformou nossas prioridades.
O selo e a identidade
autêntica do cristianismo são o amor. Ao olharmos para nossas vidas e atitudes
diárias, devemos nos perguntar: esse selo tem sido evidente em nós? Amamos da
maneira como fomos ordenados a amar? Diante da constatação das nossas falhas,
nossa atitude hoje precisa ser reconhecer nossa necessidade, pedir perdão por
não termos amado como deveríamos e buscar, pela graça de Deus, amar como Ele
nos amou, entregando Seu único Filho para a nossa salvação.
Rev. Liberato Pereira dos Santos






