:Marcos 12:28-34
Há um momento na vida de todo cristão em
que precisamos parar e fazer uma pergunta incômoda: como estou realmente vendo
o mundo? Não com os olhos do corpo, mas com o coração. Essa é a questão que
Jesus coloca diante de nós no texto supracitado, quando um escriba se aproxima
com uma pergunta aparentemente simples. Mas a resposta que Jesus oferece não é extraordinária!
É transformadora. Ela se inicia com uma avaliação honesta do nosso próprio
coração.
Vivemos em um mundo que nos ensina a ver
tudo por meio de uma lente muito particular: "O que eu ganho com
isso?" Desde criança, somos bombardeados com mensagens de autoproteção,
autopromoção e egocentrismo. O mundo sussurra, às vezes grita, que precisamos
cuidar de nós mesmos em primeiro lugar, confiar apenas em nós mesmos, avaliar
cada pessoa e situação pela quantidade de conforto, prazer ou poder que podem
nos trazer.
Quando olhamos para as pessoas através
dessa lente, cometemos um erro devastador. Vemos o idoso como improdutivo.
Vemos o pobre como um fardo. Vemos aquele que é diferente como inferior. E
assim, perdemos completamente a bondade que Deus pretendia que eles trouxessem
para nossas vidas. Perdemos a oportunidade de amar como somos chamados a amar.
O escriba, em Lucas 10, exemplifica
perfeitamente essa armadilha. Ele conhecia a lei. Sabia que deveria amar o
próximo. Mas, em vez de aceitar essa verdade, tentou redefinir a lei para se
adequar à sua vida. "Quem é o meu próximo?" Perguntou, buscando
limitar suas obrigações, encontrar uma brecha legal que o permitisse viver
confortavelmente sem se incomodar demais.
Para mudar esse padrão destrutivo,
precisamos de algo radical: uma nova perspectiva. Não um pequeno ajuste, mas
uma reeducação completa de como vemos Deus, a nós mesmos e aos outros.
Primeiro, precisamos reconhecer quem
Deus realmente é. Não apenas como o Deus Todo-Poderoso, o Criador soberano de
todas as coisas — embora isso seja verdade e essencial. Mas também como Abba,
nosso Pai. Romanos 8:14-16 nos revela essa verdade transformadora: não
recebemos um espírito de escravidão que nos leva ao medo, mas um espírito de
adoção como filhos. Quando humildemente nos submetemos à soberania de Deus,
como Jó fez, estamos prontos para perceber que Ele é um Pai Amoroso,
misericordioso, Gentil e bom.
Segundo, precisamos nos ver como Deus
nos vê: filhos amados. Antes de podermos amar os outros da forma como Deus
deseja, devemos experimentar Seu amor por nós. Quando éramos bebês, não
tínhamos problema em acreditar que merecíamos ser amados, independentemente de
nossas circunstâncias. A vida conspirou para evaporar esse espírito de
confiança. Mas quando experimentamos o amor do nosso Deus Abba, podemos
recuperá-lo. Podemos nos ver como Seus filhos amados, seguros em Seu cuidado.
Terceiro, e aqui está o cerne da
questão, precisamos aprender a ver os outros pelo que realmente são: amados e
desejados por Deus. Alguns fazem parte da nossa família espiritual; outros
estão perdidos e precisam ser resgatados. Mas todos — todos — são amados por
Deus. Quando vemos do coração de Deus, reconhecemos que cada pessoa faz parte
do Seu plano e, portanto, faz parte uns dos outros.
Jesus
ilustra isso através da história do Bom Samaritano. Não é uma história sobre
quem merece nossa compaixão. É uma história sobre como Deus vê cada pessoa. O
Samaritano, desprezado pelos judeus, é o que age com misericórdia. Ele vê um
homem ferido, não uma categoria de pessoa. Ele vê uma oportunidade de amar, não
um cálculo de benefício pessoal.
Quando aceitamos essa perspectiva, algo
muda profundamente em nós. O "eu" se transforma em "nós". O
egocentrismo cede lugar ao amor genuíno. E cumprimos o segundo grande
mandamento não por obrigação legal, mas porque nosso coração foi transformado.
Avaliar o coração significa ser honesto
sobre como estamos vendo o mundo. Significa reconhecer que a perspectiva
mundana nos cega. Significa permitir que Deus nos mostre quem Ele é, quem somos
nós e quem são os outros através de Seus olhos. Quando fazemos isso,
descobrimos que não há mandamentos maiores do que amar a Deus com todo o nosso
ser e amar o próximo como a nós mesmos. Não porque a lei nos obriga, mas porque
nosso coração foi transformado pelo amor de um Pai que nos vê como Seus filhos
amados.
Rev. Liberato Pereira dos Santos
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