Atos 9:10-19
No vasto panorama do Novo
Testamento, o nome "Ananias" surge em contextos diametralmente
opostos, oferecendo-nos um estudo de contrastes sobre a natureza do coração
humano diante da soberania de Deus. O primeiro Ananias, registrado em Atos 5, em
conluio com sua esposa, tentou enganar o Espírito Santo. Sua tragédia não foi
apenas a mentira, mas a tentativa arrogante de usurpar a glória que pertence
somente a Deus, buscando reconhecimento humano através de uma falsa piedade. O
julgamento divino sobre ele permanece como uma advertência solene para a Igreja
em todas as eras.
Contudo, no capítulo nove, somos
apresentados a um segundo Ananias, um discípulo em Damasco cuja vida reflete o
oposto do primeiro. Em vez de buscar os holofotes, ele buscou a submissão. Em
vez de se colocar sob julgamento, posicionou-se para ser um instrumento da
graça. Muitos cristãos hoje questionam por que não são usados poderosamente
pelo Senhor, mas falham em perceber que a utilidade no Reino exige uma entrega
total, não parcial. A vida deste discípulo nos ensina três lições fundamentais
sobre o verdadeiro serviço cristão.
Ouvindo a Voz do Pastor - A
primeira marca distintiva de Ananias foi sua capacidade de ouvir a voz de Deus
(v. 10). A obediência pressupõe conhecimento da vontade divina. De modo geral,
a vontade de Deus nos é revelada de forma suficiente e inerrante nas Escrituras
Sagradas. No entanto, para a aplicação dessa vontade em situações específicas,
a vontade preceptiva de Deus para o nosso chamado particular, é necessário
viver em intimidade pactual com o Senhor.
Ananias respondeu prontamente:
"Eis-me aqui, Senhor". Esta prontidão não surge no vácuo; é fruto de
uma vida devocional consistente. Deus fala com aqueles que mantêm comunhão com
Ele. A pergunta que deve nos confrontar hoje é: estamos vivendo perto o
suficiente do Senhor para discernir Sua direção, ou o ruído do mundo tem
abafado a voz do Espírito? Sem intimidade, não há direção clara.
O temor do Senhor acima do temor
dos homens - A segunda lição crucial é que a obediência de Ananias foi
provada pelo seu temor a Deus (vv. 13-14). Quando o Senhor lhe ordenou que
procurasse Saulo de Tarso, a lógica humana de Ananias gritou. Saulo possuía uma
reputação terrível; ele era o "terror" da igreja primitiva,
respirando ameaças e morte. O medo de Ananias era justificável do ponto de
vista humano.
Entretanto, a grandeza da fé de
Ananias reside no fato de que o seu respeito e temor reverente pelo Senhor eram
maiores do que o seu pavor de Saulo. A verdadeira piedade reformada entende que
Deus é soberano sobre qualquer circunstância ou ameaça humana. Ananias obedeceu
a algo que, naturalmente, era a última coisa que desejaria fazer. Isso nos
desafia: quanto valorizamos o senhorio de Cristo se apenas obedecemos quando é
conveniente, seguro ou confortável? A verdadeira obediência brilha mais
intensamente quando o custo é alto.
Ação Imediata e Submissão à
Soberania. Por fim, Ananias obedeceu porque estava disposto a agir (vv.
15-17). Uma vez certo da instrução divina, ele não permitiu que a hesitação o
paralisasse. O texto nos mostra que ele foi à casa de Judas e, num ato de fé
extraordinária, impôs as mãos sobre o perseguidor e o chamou de "Irmão
Saulo". Ele confiou na eleição soberana de Deus, que havia transformado um
vaso de ira em um vaso de misericórdia.
Adiar o que sabemos ser a vontade de
Deus é, em essência, um ato de desobediência. Ananias agiu "mais cedo do
que tarde". Se ele tivesse esperado, duvidado ou debatido, poderia ter
perdido a oportunidade de participar de um dos maiores milagres da história da
igreja. A ordem foi dada, e ele foi. Não cabe ao servo questionar os decretos
do Mestre, mas sim cumpri-los com fidelidade.
A vida deste "outro
Ananias" nos deixa um legado desafiador. Ele não era um apóstolo famoso,
mas sua disposição em ouvir, seu temor reverente e sua ação imediata foram
essenciais para o início do ministério do apóstolo Paulo. Deus continua procurando
homens e mulheres que não buscam a própria glória, mas que, na quietude da
obediência diária, dizem: "Eis-me aqui". Que não sejamos crentes que
selecionam quais mandamentos obedecer. Que o Senhor nos encontre, hoje,
caminhando pela "rua chamada Direita", prontos para fazer Sua
vontade, custe o que custar. O que você tem adiado fazer por Deus? A hora de
obedecer é agora.
Rev. Liberato Pereira dos Santos
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