A pergunta sobre como
contribuir com o crescimento da igreja não é meramente organizacional, mas
teológica. Ao falarmos de crescimento da Igreja, não estamos falando de
estratégias de marketing da Igreja ou técnicas de retenção de membros. Estamos
falando do corpo de Cristo, edificado pelo Espírito Santo, que distribui dons a
cada crente para o aperfeiçoamento dos santos (Efésios 4:11-12). Portanto,
nossa pergunta não é se devo contribuir, mas como fazê-lo, e a resposta bíblica
nos leva a uma vida de comprometimento, de serviço e de santidade.
Antes de tudo, é
preciso reconhecer que o crescimento verdadeiro da igreja não é obra humana.
Paulo diz: "Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus"
(1 Co 3:6). Isso não nos isenta da responsabilidade; pelo contrário, nos
liberta para servir com fidelidade, sabendo que os resultados pertencem ao
Senhor. Como destacou o teólogo reformado J.I. Packer, a soberania de Deus na
salvação não produz passividade; produz zelo. Packer, a soberania de Deus na
salvação não produz passividade; produz zelo. Quando entendemos que é Deus quem
promove o crescimento da igreja (Atos 2:47), nosso trabalho fica claro: ser
instrumentos fiéis nas mãos dAquele que está edificando Sua igreja.
Cada membro do corpo
foi dotado com dons específicos para ser útil (1 Co 12:7).A contribuição mais
direta que você pode dar é identificar e exercitar os dons que o Espírito lhe
concedeu. Não existe membro inútil no corpo de Cristo. Há quem tenha dom de
ensino, de exortação, de generosidade, de liderança, de misericórdia (Ro
12:6-8). A negligência dos dons é uma das maiores causas da estagnação
eclesiástica. Calvino, em suas Institutas, afirmava que Deus distribui Seus
dons de tal modo que nenhum indivíduo seja autossuficiente, mas todos precisem
uns dos outros. Portanto, pergunte-se: estou usando o que recebi para servir à
igreja local, ou estou apenas consumindo?
A oração é o motor
invisível do crescimento da igreja. Quando os crentes oram, Deus age. O livro
de Atos mostra uma igreja que orava intensamente, e o Senhor acrescentava
diariamente os que iam sendo salvos. Ore pela pregação da Palavra, pelos
oficiais da igreja, pelos enfermos, pelos perdidos. Ore especificamente pela
conversão de amigos e familiares. R.C. Sproul costumava dizer que a oração não
muda a Deus, mas nos alinha com Seus propósitos. Uma igreja que não ora é uma
igreja que tenta crescer na força do braço humano, e isso sempre fracassa.
O testemunho de vida é
um dos instrumentos mais poderosos de crescimento da igreja. Jesus disse que o
mundo creria nEle por meio do amor e da unidade dos discípulos (Jo 13:34-35;
17:21). Sua vida no trabalho, no lar, nas redes sociais e nas relações
cotidianas é um sermão constante. Uma vida íntegra atrai; uma vida hipócrita
afasta. A santificação não é opcional — é o reflexo natural de quem foi
regenerado. Quando o mundo vê transformação genuína, fica curioso pelo
Evangelho que a produz.
A igreja cresce quando
seus membros se comprometem uns com os outros. Isso significa estar presente
nos cultos, participar da vida comunitária, cuidar dos irmãos, suportar os
fracos, advertir os desviados. Hebreus 10:24-25 nos exorta a considerar uns aos
outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando as nossas
reuniões. O discipulado — seja formal ou informal — é o canal pelo qual a fé é
transmitida e amadurecida. Encontre alguém para investir sua vida e alguém que
invista em você.
A igreja primitiva não
cresceu apenas em grandes reuniões públicas; cresceu também de casa em casa.
Lucas registra que os primeiros crentes "perseveravam... partindo o pão em
suas casas" (At 2:46). Os pequenos grupos, seja em lares, células ou grupos
de discipulado, são o ambiente em que a vida eclesial se aprofunda de modo que
o culto solene, por si só, não consegue alcançar. Ali, membros se conhecem de
fato. Exortam-se mutuamente, confessam faltas, levam fardos uns dos outros (Gl
6:2) e exercitam a disciplina restauradora em um contexto mais íntimo. É nos
pequenos grupos que dons que passariam despercebidos em uma grande assembleia
são identificados e cultivados. É ali que o novo convertido encontra acolhida,
o desanimado encontra encorajamento e o isolado encontra comunhão.
Dietrich Bonhoeffer, em
sua obra Vida em Comunhão, advertiu que quem ama a comunhão dos santos mais do
que a comunhão em si está destruindo essa comunhão. Ou seja, não basta desejar
a igreja ideal — é preciso mergulhar na realidade imperfeita do corpo, com suas
feridas e diferenças. Os pequenos grupos são o laboratório em que a tolerância,
o perdão e o amor fraternal são forjados na prática.
Quando você se engaja
em um pequeno grupo, não apenas recebe — você também contribui com seu
testemunho, suas perguntas, suas lutas e seus dons. Cada membro presente
enriquece o grupo; cada ausência empobrece o corpo. A participação nesses
grupos não é um complemento opcional à vida cristã — é uma expressão natural do
mandamento do amor recíproco que Cristo nos deu (João 13:34).
Por fim, a contribuição
mais essencial: fale de Cristo. O Evangelho é o poder de Deus para a salvação
(Rm 1:16). E Cristo encarregou Sua igreja de fazer discípulos de todas as
nações, por meio da proclamação das Boas Novas (Mt 28:19-20). Você não precisa
ser um teólogo para contar o que Cristo fez por você. A evangelização não é dom
de poucos, mas mandamento para todos.
Assim, contribuir com o
crescimento da igreja não é sobre programas ou estratégias elaboradas. É sobre
fidelidade: orar, servir com seus dons, viver santamente, comprometer-se com os
irmãos, participar dos pequenos grupos e proclamar o Evangelho. Deus não pede
resultados. Mas pede fidelidade. E nessa fidelidade, Ele mesmo faz Sua igreja
crescer.
Rev. Liberato Pereira dos Santos






