Chega a época da eleição e, de repente,
o mundo vira um grande comício. Todo lugar que a gente olha tem propaganda,
contendas fervorosas nas redes, desentendimento entre parentes, amizade
desfeita por causa de candidato. E, no meio desse tumulto todo, quem ama a Deus
e quer viver a fé de verdade se pega fazendo uma pergunta simples, mas
profundamente séria: como vou votar? Como o cristão deve se posicionar diante
das urnas?
A resposta que a Bíblia nos dá não é um
"vote no candidato tal". Ela é mais profunda do que isso. O voto do
cristão não pode nascer da paixão partidária, do interesse pessoal nem da
pressão dos outros. Ele precisa nascer de uma consciência moldada pela Palavra
de Deus, porque a cidadania também é área da vida sobre a qual daremos contas
ao Senhor.
O cristão deve ter a convicção de que Deus é soberano, mas a responsabilidade é nossa. Em Romanos 13.1, o apóstolo Paulo afirma que "não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas". Essa verdade nos lembra que Deus governa providencialmente toda a história humana. No entanto, o reconhecimento da soberania divina não anula a nossa responsabilidade.
Na democracia, Deus usa a decisão dos
cidadãos para estabelecer governantes. Por isso, a escolha do voto deve ser
tratada com seriedade, oração e temor, reconhecendo que prestará contas diante
do Senhor pelas escolhas que faz no espaço público.
A
Bíblia deixa claro que o governo humano não tem a função de estabelecer o Reino
de Deus na Terra, mas sim a de promover a ordem, conter a maldade e garantir a
justiça. Como diz Provérbios 29.2: "Quando os justos triunfam, o povo
se alegra; quando os ímpios sobem ao poder, o povo geme".
Na hora de avaliar candidatos, o cristão
precisa olhar para além da oratória e analisar propostas concretas. Devemos
perguntar: qual é o compromisso desse candidato com a vida e a dignidade
humana? Suas propostas promovem a justiça e a proteção do próximo? Há coerência
entre o que ele diz e o que de fato fez ao longo de sua trajetória pública?
Um
dos maiores perigos do nosso tempo é a tendência de transformar a política em
uma religião e os políticos em salvadores da pátria. Contudo, o alerta do
apóstolo João ecoa através dos séculos: "Filhinhos, guardai-vos dos
ídolos" (1 João 5.21).
Nenhum projeto político, candidato ou
partido merece a confiança irrestrita que pertence somente a Deus. É
perfeitamente possível votar em um candidato sem torná-lo um ídolo. Nossa
esperança última não reside em Brasília, nos palácios de governo ou no Congresso
Nacional, mas naquele que reina sobre todas as nações. Afinal, "bem-aventurada
é a nação cujo Deus é o Senhor" (Salmo 33.12).
A decisão do voto exige amadurecimento
pessoal. Em Romanos 14.5, lemos: "Cada um tenha opinião bem definida em
sua própria mente". Isso significa que o cristão não deve votar movido
pelo efeito boiada, só porque a família vota, o grupo da igreja apoia,
determinado pastor recomendou ou o candidato apenas se declara cristão.
Votar com consciência e responsabilidade
exige estudo, verificação de fatos, reflexão sincera e oração. É preciso
superar a propaganda eleitoral e a manipulação das emoções para tomar uma
decisão fundamentada na verdade.
A orientação bíblica em 1 Timóteo 2.1–2
nos incita a orar por todas as autoridades e por aqueles investidos de poder.
Essa oração não deve ser restrita apenas ao candidato da nossa preferência, mas
deve clamar para que Deus conceda sabedoria aos governantes e retenha a
injustiça em nossa sociedade.
Além disso, o voto jamais substitui o
discipulado cristão. O papel da igreja não é aparelhar a política ou dizer aos
membros em quem votar, mas ensinar as Escrituras para que cada crente aprenda a
pensar biblicamente. Como exorta Romanos 12.2, devemos ser "transformados
pela renovação da nossa mente", levando os princípios bíblicos para
todas as esferas da vida.
Pensando naquilo que a Palavra de Deus
nos orienta, sugiro que, antes de confirmar seu voto, faça a si mesmo cinco
perguntas simples: O que a Bíblia ensina sobre os princípios envolvidos nessa
escolha? O que este candidato realmente defende e qual é seu histórico? Estou
decidindo com base em fatos e princípios ou em propaganda e medo? Minha escolha
busca o bem do próximo ou atende apenas a interesses egoístas? Posso colocar
minha decisão diante de Deus com a consciência tranquila?
Não precisamos de um candidato perfeito, porque ele simplesmente não existe.
Precisamos de cidadãos dispostos a exercer sua responsabilidade com
discernimento e sabedoria, sabendo que nossa esperança derradeira e inabalável
não está em governos humanos, mas no Senhor Jesus Cristo.






