João 15:9-17
O que nos mantém conectados? O que nos
motiva a permanecer próximos de alguém? A resposta é simples e profunda: o
amor. Não é o medo, não é a obrigação, mas o amor. Essa força invisível que
move o coração humano e nos prende à videira da vida eterna. Jesus, ao falar
aos seus discípulos naquele momento de despedida, não apela ao temor das
tribulações que enfrentariam. Ele apela ao amor. É o amor de Cristo que nos
capacita a suportar a poda, a purificação e a oposição do mundo. É o amor que
produz frutos duradouros.
Muitos acreditam que o medo é o
grande motivador da obediência. Jesus corrige essa compreensão de forma clara e
contundente. O amor motiva melhor a obediência do que qualquer outro
sentimento. Se não obedecemos, provavelmente é porque não percebemos todas as
dimensões do amor de Deus por nós. A experiência vital desse amor incrível nos
motiva a nos agarrar de perto à videira e a suportar o processo necessário para
dar muitos frutos.
Para compreender o amor de Cristo
por nós, é necessário entender a relação eterna entre o Pai e o Filho. No
batismo de Jesus, o Pai declara: "Este é meu amado Filho, em quem tenho
muita complacência" (Mateus 3:17). Na transfiguração, reafirma: "Este
é Meu Filho amado, com quem estou muito satisfeito." (Mateus 3:17). Na
transfiguração, repete: "Este é Meu amado Filho, com quem estou muito
satisfeito" (Mateus 17:5). Esse não é um amor baseado em mérito ou em
"amar o que não é adorável". É um amor de deleite puro, de conexão
íntima entre o Pai e o Filho.
Jesus nos revela algo
extraordinário: Ele nos ama com a mesma intensidade e qualidade com que foi
amado pelo Pai. Essa verdade deveria transformar nossa compreensão de nós
mesmos. Não somos amados porque merecemos, mas porque o Pai nos escolheu em
Cristo.
Como o Filho demonstrou seu amor
pelo Pai? Por meio da obediência e da confiança. Jesus guardou os mandamentos
do Pai e permaneceu em seu amor. Ele declarou: "Meu alimento é fazer a
vontade daquele que me enviou" (João 4:34). Não havia resistência, não
havia hesitação, apenas a disposição de agradar aquele que o amava. Jesus não
só nunca pecou em palavras ou ações, como também fez tudo o que o Pai lhe
pediu, inclusive entregar Sua vida.
Aqui reside uma verdade
revolucionária: os mandamentos de Deus não são restrições, mas proteções. Deus,
como o Mestre Designer, emitiu um manual do fabricante para explicar como a
vida foi projetada para funcionar melhor. Quando ignoramos seus princípios, não
diminuímos seu amor, diminuímos nossa capacidade de aproveitar a vida como Ele
pretendia. Como bem observou John Charles Ryle, "O verdadeiro amor a
Cristo sempre se manifestará na obediência aos Seus mandamentos."
Permanecer no amor de Deus significa
ouvir e obedecer às coisas que Ele nos diz para fazer, motivados por seu grande
amor por nós. Recusar andar segundo seus caminhos é não permanecer em seu amor.
Mas receber o amor de Deus não é o
fim da história. Jesus nos chama a retribuir esse amor de duas formas:
Primeiro, amando a Jesus através da
confiança e da obediência. Quando caminhamos na luz como Ele está na luz,
experimentamos comunhão íntima com Deus e uns com os outros.
Segundo, amando uns aos outros como
Ele nos amou. O Mestre enfatiza essa regra com urgência: “Ninguém tem amor
maior do que este, aquele que dá a vida pelos amigos” (João 15:13). Não se
trata de um amor sentimental, mas de um compromisso altruísta com o bem-estar
do próximo, a prontidão para renunciar às nossas próprias ambições em prol do
outro. Em sua sabedoria, João Calvino nos recorda que "a lei, que nos
ensina a amar a Deus e ao próximo, é a própria expressão do amor divino, dada
para nos moldar à Sua imagem e nos capacitar a viver em verdadeira
caridade."
Jesus nos ensina: "Estas coisas
te disse para que Minha alegria esteja em ti, e para que a tua alegria seja
plena" (João 15:11). Há uma plenitude e satisfação que chegam ao coração
que amou profundamente e foi igualmente amado. Ser amado gera alegria.
Compreender e aplicar as verdades sobre o amor de Deus resulta em plenitude de
alegria — a alegria do próprio Jesus.
Assim sendo, receba o amor dele em
sua vida. Retribua esse amor por meio da confiança e do serviço obediente a
Jesus. Retribua uns aos outros através da dedicação e do sacrifício. Dê seu
tempo, seus recursos, sua vida. Demonstre o amor de Cristo com seus atos. Pois
é assim que o mundo saberá que somos seus discípulos, pelo amor que temos uns
pelos outros.

Postar um comentário