quarta-feira, 1 de abril de 2026

AVALIANDO O NOSSO CORAÇÃO 26.03.2023

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:Marcos 12:28-34

Há um momento na vida de todo cristão em que precisamos parar e fazer uma pergunta incômoda: como estou realmente vendo o mundo? Não com os olhos do corpo, mas com o coração. Essa é a questão que Jesus coloca diante de nós no texto supracitado, quando um escriba se aproxima com uma pergunta aparentemente simples. Mas a resposta que Jesus oferece não é extraordinária! É transformadora. Ela se inicia com uma avaliação honesta do nosso próprio coração.

            Vivemos em um mundo que nos ensina a ver tudo por meio de uma lente muito particular: "O que eu ganho com isso?" Desde criança, somos bombardeados com mensagens de autoproteção, autopromoção e egocentrismo. O mundo sussurra, às vezes grita, que precisamos cuidar de nós mesmos em primeiro lugar, confiar apenas em nós mesmos, avaliar cada pessoa e situação pela quantidade de conforto, prazer ou poder que podem nos trazer.

Quando olhamos para as pessoas através dessa lente, cometemos um erro devastador. Vemos o idoso como improdutivo. Vemos o pobre como um fardo. Vemos aquele que é diferente como inferior. E assim, perdemos completamente a bondade que Deus pretendia que eles trouxessem para nossas vidas. Perdemos a oportunidade de amar como somos chamados a amar.

O escriba, em Lucas 10, exemplifica perfeitamente essa armadilha. Ele conhecia a lei. Sabia que deveria amar o próximo. Mas, em vez de aceitar essa verdade, tentou redefinir a lei para se adequar à sua vida. "Quem é o meu próximo?" Perguntou, buscando limitar suas obrigações, encontrar uma brecha legal que o permitisse viver confortavelmente sem se incomodar demais.

Para mudar esse padrão destrutivo, precisamos de algo radical: uma nova perspectiva. Não um pequeno ajuste, mas uma reeducação completa de como vemos Deus, a nós mesmos e aos outros.

Primeiro, precisamos reconhecer quem Deus realmente é. Não apenas como o Deus Todo-Poderoso, o Criador soberano de todas as coisas — embora isso seja verdade e essencial. Mas também como Abba, nosso Pai. Romanos 8:14-16 nos revela essa verdade transformadora: não recebemos um espírito de escravidão que nos leva ao medo, mas um espírito de adoção como filhos. Quando humildemente nos submetemos à soberania de Deus, como Jó fez, estamos prontos para perceber que Ele é um Pai Amoroso, misericordioso, Gentil e bom.

Segundo, precisamos nos ver como Deus nos vê: filhos amados. Antes de podermos amar os outros da forma como Deus deseja, devemos experimentar Seu amor por nós. Quando éramos bebês, não tínhamos problema em acreditar que merecíamos ser amados, independentemente de nossas circunstâncias. A vida conspirou para evaporar esse espírito de confiança. Mas quando experimentamos o amor do nosso Deus Abba, podemos recuperá-lo. Podemos nos ver como Seus filhos amados, seguros em Seu cuidado.

Terceiro, e aqui está o cerne da questão, precisamos aprender a ver os outros pelo que realmente são: amados e desejados por Deus. Alguns fazem parte da nossa família espiritual; outros estão perdidos e precisam ser resgatados. Mas todos — todos — são amados por Deus. Quando vemos do coração de Deus, reconhecemos que cada pessoa faz parte do Seu plano e, portanto, faz parte uns dos outros.

Jesus ilustra isso através da história do Bom Samaritano. Não é uma história sobre quem merece nossa compaixão. É uma história sobre como Deus vê cada pessoa. O Samaritano, desprezado pelos judeus, é o que age com misericórdia. Ele vê um homem ferido, não uma categoria de pessoa. Ele vê uma oportunidade de amar, não um cálculo de benefício pessoal.

Quando aceitamos essa perspectiva, algo muda profundamente em nós. O "eu" se transforma em "nós". O egocentrismo cede lugar ao amor genuíno. E cumprimos o segundo grande mandamento não por obrigação legal, mas porque nosso coração foi transformado.

Avaliar o coração significa ser honesto sobre como estamos vendo o mundo. Significa reconhecer que a perspectiva mundana nos cega. Significa permitir que Deus nos mostre quem Ele é, quem somos nós e quem são os outros através de Seus olhos. Quando fazemos isso, descobrimos que não há mandamentos maiores do que amar a Deus com todo o nosso ser e amar o próximo como a nós mesmos. Não porque a lei nos obriga, mas porque nosso coração foi transformado pelo amor de um Pai que nos vê como Seus filhos amados.

Rev. Liberato Pereira dos Santos


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