domingo, 12 de abril de 2026

DO GÊNESIS AO APOCALIPSE: O PROPÓSITO DE DEUS EM FAZER DISCÍPULOS 12.04.2026

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Há uma continuidade divina que atravessa toda a Escritura, desde Gênesis a Apocalipse. E não se trata de um conceito recente ou apenas de uma estratégia eclesiástica: "fazer discípulos é o objetivo principal de Deus". Para isso, precisamos olhar para dois textos, separados por muitos séculos, mas que manifestam uma espantosa unidade teológica entre eles.

Gênesis 1:27-28, nos revela que Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança, e lhes deu uma ordem: "Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra." Esse não era simplesmente um comando de reprodução biológica. Era um chamado para multiplicar a imagem de Deus na Terra. Adão e Eva foram os primeiros discípulos, seres criados à imagem do Criador e convidados a espelhar Seus traços em todas as suas ações.

Séculos mais tarde, Paulo afirma em Romanos 8:28-29: "Sabemos que Deus envelhece em todas as coisas para o bem daqueles que o amam... pois aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho." Aqui se realiza a vontade divina: "Deus está moldando pessoas à semelhança de Cristo". O propósito não mudou; apenas foi revelado em sua plenitude. Fazer discípulos, portanto, não é um programa opcional da Igreja. Consiste na continuação do primeiro objetivo de Deus: continuar levando adiante Sua imagem em todo o mundo durante o tempo presente através de vidas transformadas. No livro "Escolhido por Deus", o conhecido teólogo RC Sproul disse: "O propósito último de Deus na eleição é mais que nos salvar do inferno. É nos conformar à imagem de Seu Filho."

Deus quer qualidade e quantidade em Sua Família. Uma pergunta bem comum é: "Deus prefere qualidade ou quantidade?" A resposta bíblica é clara: Deus quer ambas. Não há uma dicotomia verdadeira aqui. Deus almeja uma família numerosa, aqueles que virão de todas as nações, línguas e povos (Apocalipse 7:9). Mas deseja também uma família de qualidade, discípulos que verdadeiramente refletem o caráter de Cristo em suas vidas cotidianas. Não é suficiente ter nomes em um rol de membros de uma igreja qualquer; é necessário ter corações transformados. A Grande Comissão de Jesus (Mateus 28:19-20) não diz "faça convertidos". Diz “faça discípulos". Um convertido pode ser uma decisão momentânea; um discípulo é uma vida de compromisso contínuo. Discípulos são aqueles que aprendem, crescem, obedecem e, por sua vez, ensinam a outros. Nisto reside a qualidade.

A missão da igreja é cumprir o propósito de Deus. A Igreja existe para uma razão específica: “ser agente do plano de Deus na história”. Não é uma instituição para proveito próprio, nem um clube de religiosos. É o corpo de Cristo em ação. Quando a Igreja compreende que seu chamado é fazer discípulos, pessoas transformadas, educadas na Palavra, amadurecidas na fé, ela deixa de ser uma multidão amorfa e se torna uma força transformadora. Uma congregação de discípulos impacta famílias, comunidades e nações. A história eclesiástica comprova isso: reavivamentos genuínos sempre envolvem a multiplicação de discípulos genuínos. A missão não é adicionar números aos registros. É “multiplicar vidas que se multiplicam vidas”. Um discípulo verdadeiro não apenas segue a Cristo; ajuda outros a fazê-lo.

A Verdadeira Igreja de Jesus é formada de Discípulos. Aqui chegamos ao ponto crítico: “a Igreja verdadeira de Jesus é feita de discípulos, não de espectadores”. Muitas congregações confundem-se com templos repletos ou listas de membros. Mas Jesus não disse: "Bem-aventurado aquele que frequenta a sinagoga". Ele chamou pessoas para o discipulado. A Igreja é uma comunidade de “aprendizes de Cristo”, pessoas comprometidas em deixar tudo para segui-Lo (Lucas 14:26-27).Uma Igreja genuína faz perguntas difíceis: Nossos membros estão sendo transformados? Estão crescendo em santidade? Estão multiplicando discípulos? Se a resposta é não, talvez tenhamos confundido atividade religiosa com verdadeiro discipulado. O Pastor Timothy Keller, em sua obra: Igreja Centrada: Desenvolvendo um Ministério Equilibrado e Centrado no Evangelho em sua Cidade, fez uma afirmação pertinente sobre o papel da igreja: "A igreja não é simplesmente uma coleção de indivíduos que por acaso acreditam nas mesmas coisas. É uma comunidade chamada a ser um sinal, um antegozo e um instrumento do reino de Deus no mundo, transformando vidas e cultura."

Uma convocação urgente! Vivemos em um tempo de cristianismo morno e superficial. Precisamos de uma “ressurreição do conceito bíblico de discipulado”. Isso exige que pastores, líderes e crentes ordinários assimilem a verdade simples: Deus nos chamou não apenas para sermos salvos, mas para “nos tornarmos como Cristo e ajudar outros a fazer o mesmo”. Essa é a missão. Esse é o propósito. Essa é a Igreja que Jesus projetou.

Rev. Liberato Pereira dos Santos


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