Vivemos em tempo de pressa. Tudo
necessita ser imediato: respostas, resultados, soluções. A paciência foi
subtraída e a espera é vista como perda de tempo. No entanto, o cristão é
chamado a viver na expectativa de algo que ainda não veio, e isso não é fraqueza,
mas a própria essência da fé.
A.W. Tozer, no seu clássico Preparando-se
para a Volta de Jesus, nos lembra que a bem-aventurada esperança não é um
consolo secundário, mas o centro da vida cristã. Paulo a chama de "bendita
esperança" (Tt 2.13). E ela se torna bendita, exatamente porque nos tira
do desespero do presente e nos ancora no futuro que Deus prometeu.
Porque a espera nos prepara - Tozer argumenta que o propósito das
profecias bíblicas não é nos alarmar, mas nos alertar. A demora de Cristo não é
um atraso divino, mas um tempo de preparação. Assim como uma noiva se prepara
para o casamento, a Igreja precisa estar pronta para o Noivo. A espera produz
vigilância, que, por sua vez, produz santidade. Se Cristo voltasse amanhã, você
estaria pronto? Essa pergunta não deve gerar medo, mas um exame sincero do
coração.
O teólogo reformado John Piper ecoa essa
mesma convicção ao afirmar que "Deus é mais glorificado em nós quando
estamos mais satisfeitos Nele". A espera não é um vazio existencial, mas
um tempo de aprofundamento do deleite em Deus. Piper insiste que a segunda
vinda de Cristo é o motor da alegria cristã, não um tema periférico, mas o
horizonte que dá sentido a cada decisão e cada renúncia. Se não esperamos com
alegria, algo está errado com o nosso amor.
Porque a espera nos protege do desespero - Tozer escreveu em meio a guerras,
rumores de guerras, perseguições e ao declínio moral da Igreja. Ele via os
sinais de Mateus 24 se cumprindo diante dos seus olhos, e nós vemos ainda mais
hoje. Nação se levanta contra nação. O amor de muitos se esfria. Falsos cristos
surgem. A perseguição aos cristãos se intensifica. Sem a esperança do retorno
de Cristo, o mundo seria insuportável. É a espera que nos sustenta quando tudo
ao redor desaba.
R. C. Sproul**, um expoente do pensamento reformado, ensinava que a soberania
de Deus sobre a história é o fundamento da nossa paz. Se Deus está no controle,
o caos ao redor não é a última palavra. Sproul dizia: "Não há um único
átomo no universo que esteja fora do controle de Deus". Podemos assim
compreender que a demora de Cristo não é falta de controle, mas sim, paciência
redentora. A espera, portanto, não é um vácuo, mas um ato de confiança na
soberania divina.
Porque a espera nos livra do
superficial.- Tozer
denuncia com veemência os "especialistas em profecias" que
transformam a segunda vinda num calendário de especulações. Ele afirma que a
Bíblia não nos dá horários de trem, mas uma pintura majestosa do futuro. Quem
se apega a detalhes secundários perde a grandeza do quadro. Esperar não é
tentar adivinhar datas, mas manter os olhos fixos em Cristo, e não nas
circunstâncias.
Kevin DeYoung, autor de A Ovelha e o
Cordeiro, reforça essa perspectiva ao argumentar que a escatologia
reformada não é sobre mapas proféticos, mas sobre a certeza de que Cristo reina
e voltará. DeYoung adverte contra o sensacionalismo profético que desvia a
Igreja do seu chamado missionário e da santidade prática. A espera bíblica não
é passividade apocalíptica, mas missão ativa até o último dia.
Porque a espera nos santifica.- Tozer pergunta: "Quão ardente é
o seu amor pelo Senhor Jesus?" Ele sabia que a espera revela a temperatura
da nossa devoção. Se o amor esfriou, a espera se torna um fardo. Mas, se o amor
arde, a espera é doce.
J.I. Packer, em sua obra Conhecendo
Deus, escreveu que o conhecimento de Deus não é teórico, mas relacional. A
espera pela volta de Cristo é o contexto no qual esse conhecimento se
aprofunda. Packer argumentava que a paciência cristã não é resignação estoica,
mas uma virtude ativa produzida pelo Espírito, fruto de quem confia nas
promessas de Deus mais do que nas circunstâncias visíveis. Quanto mais
conhecemos a Deus, mais desejamos a Sua vinda.
Porque a espera é a marca dos que creem.- Os heróis da fé: Abraão, Moisés, os
profetas viveram na expectativa de algo que não viram. Como diz Hebreus 11.13,
"morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas tendo-as visto de
longe". A espera não é um vazio, mas uma certeza que molda cada decisão,
cada prioridade, cada dia.
Timothy Keller sintetizava essa verdade
com maestria: "O cristianismo não é apenas crer em Deus, é ter fé que Ele
está trazendo um novo céu e uma nova terra. E essa esperança transforma tudo o
que fazemos agora." Ele pregava que a ressurreição de Cristo é a garantia
de que a história não termina em tragédia. Esperar é viver à luz dessa
garantia.
Sendo assim, devemos esperar com
paciência, com uma postura ativa de quem sabe que o Rei está voltando, como
afirmou Tozer: "não sei como será o amanhã, mas não me importo com isso,
desde que eu esteja no trem, viajando no sentido certo". Que o seu amor
por Cristo seja tão ardente que a espera se torne doce, e que você viva cada
dia na expectativa da bem-aventurada esperança. Maranata!
Rev. Liberato Pereira dos Santos

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