sábado, 27 de junho de 2026

POR QUE DEVEMOS ESPERAR? 28.06.2026

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Vivemos em tempo de pressa. Tudo necessita ser imediato: respostas, resultados, soluções. A paciência foi subtraída e a espera é vista como perda de tempo. No entanto, o cristão é chamado a viver na expectativa de algo que ainda não veio, e isso não é fraqueza, mas a própria essência da fé.

A.W. Tozer, no seu clássico Preparando-se para a Volta de Jesus, nos lembra que a bem-aventurada esperança não é um consolo secundário, mas o centro da vida cristã. Paulo a chama de "bendita esperança" (Tt 2.13). E ela se torna bendita, exatamente porque nos tira do desespero do presente e nos ancora no futuro que Deus prometeu.

Porque a espera nos prepara - Tozer argumenta que o propósito das profecias bíblicas não é nos alarmar, mas nos alertar. A demora de Cristo não é um atraso divino, mas um tempo de preparação. Assim como uma noiva se prepara para o casamento, a Igreja precisa estar pronta para o Noivo. A espera produz vigilância, que, por sua vez, produz santidade. Se Cristo voltasse amanhã, você estaria pronto? Essa pergunta não deve gerar medo, mas um exame sincero do coração.

O teólogo reformado John Piper ecoa essa mesma convicção ao afirmar que "Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos Nele". A espera não é um vazio existencial, mas um tempo de aprofundamento do deleite em Deus. Piper insiste que a segunda vinda de Cristo é o motor da alegria cristã, não um tema periférico, mas o horizonte que dá sentido a cada decisão e cada renúncia. Se não esperamos com alegria, algo está errado com o nosso amor.

Porque a espera nos protege do desespero - Tozer escreveu em meio a guerras, rumores de guerras, perseguições e ao declínio moral da Igreja. Ele via os sinais de Mateus 24 se cumprindo diante dos seus olhos, e nós vemos ainda mais hoje. Nação se levanta contra nação. O amor de muitos se esfria. Falsos cristos surgem. A perseguição aos cristãos se intensifica. Sem a esperança do retorno de Cristo, o mundo seria insuportável. É a espera que nos sustenta quando tudo ao redor desaba.

            R. C. Sproul**, um expoente do pensamento reformado, ensinava que a soberania de Deus sobre a história é o fundamento da nossa paz. Se Deus está no controle, o caos ao redor não é a última palavra. Sproul dizia: "Não há um único átomo no universo que esteja fora do controle de Deus". Podemos assim compreender que a demora de Cristo não é falta de controle, mas sim, paciência redentora. A espera, portanto, não é um vácuo, mas um ato de confiança na soberania divina.

Porque a espera nos livra do superficial.- Tozer denuncia com veemência os "especialistas em profecias" que transformam a segunda vinda num calendário de especulações. Ele afirma que a Bíblia não nos dá horários de trem, mas uma pintura majestosa do futuro. Quem se apega a detalhes secundários perde a grandeza do quadro. Esperar não é tentar adivinhar datas, mas manter os olhos fixos em Cristo, e não nas circunstâncias.

Kevin DeYoung, autor de A Ovelha e o Cordeiro, reforça essa perspectiva ao argumentar que a escatologia reformada não é sobre mapas proféticos, mas sobre a certeza de que Cristo reina e voltará. DeYoung adverte contra o sensacionalismo profético que desvia a Igreja do seu chamado missionário e da santidade prática. A espera bíblica não é passividade apocalíptica, mas missão ativa até o último dia.

Porque a espera nos santifica.- Tozer pergunta: "Quão ardente é o seu amor pelo Senhor Jesus?" Ele sabia que a espera revela a temperatura da nossa devoção. Se o amor esfriou, a espera se torna um fardo. Mas, se o amor arde, a espera é doce.

J.I. Packer, em sua obra Conhecendo Deus, escreveu que o conhecimento de Deus não é teórico, mas relacional. A espera pela volta de Cristo é o contexto no qual esse conhecimento se aprofunda. Packer argumentava que a paciência cristã não é resignação estoica, mas uma virtude ativa produzida pelo Espírito, fruto de quem confia nas promessas de Deus mais do que nas circunstâncias visíveis. Quanto mais conhecemos a Deus, mais desejamos a Sua vinda.

Porque a espera é a marca dos que creem.- Os heróis da fé: Abraão, Moisés, os profetas viveram na expectativa de algo que não viram. Como diz Hebreus 11.13, "morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas tendo-as visto de longe". A espera não é um vazio, mas uma certeza que molda cada decisão, cada prioridade, cada dia.

Timothy Keller sintetizava essa verdade com maestria: "O cristianismo não é apenas crer em Deus, é ter fé que Ele está trazendo um novo céu e uma nova terra. E essa esperança transforma tudo o que fazemos agora." Ele pregava que a ressurreição de Cristo é a garantia de que a história não termina em tragédia. Esperar é viver à luz dessa garantia.

Sendo assim, devemos esperar com paciência, com uma postura ativa de quem sabe que o Rei está voltando, como afirmou Tozer: "não sei como será o amanhã, mas não me importo com isso, desde que eu esteja no trem, viajando no sentido certo". Que o seu amor por Cristo seja tão ardente que a espera se torne doce, e que você viva cada dia na expectativa da bem-aventurada esperança. Maranata!

Rev. Liberato Pereira dos Santos

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