sábado, 1 de agosto de 2026

O AMOR AO PRÓXIMO NA PRÁTICA. 26.07.2026

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1 João 4:7-12

A vivência do amor ao próximo deveria ser uma das marcas distintivas e decisivas do cristianismo. Não se deve dizer que a fé cristã consiste em dogmas teóricos ou em rituais exteriores, mas sim que ela se concretiza no modo como nos relacionamos entre nós. João diz o mesmo em sua epístola, ao declarar: “Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus', e odeia a seu irmão, é mentiroso”.

Se você diz professar a fé em Cristo, a consequência deve ser naturalmente amar o seu próximo, já que Ele nos amou primeiro, porque, quando Deus nos alcançou, não éramos amáveis, e sendo homens, e como tal, cheios de defeitos e falhas. Entretanto, o Senhor olha além dos nossos defeitos e enxerga a nossa profunda necessidade espiritual. Todos necessitamos continuamente do Seu amor transformador e da Sua graça imerecida.

O mundo ao nosso redor observa a Igreja e os cristãos como um sinal visível da pessoa de Jesus. Diante de tantas incertezas, divisões e egoísmo na sociedade, as pessoas perguntam: Quem é Ele de verdade? Do que se trata, em essência, o cristianismo? A resposta das Escrituras é clara: Deus é amor, e o cristianismo é a vivência desse amor genuíno pelos irmãos na fé e por todos os homens. Este padrão foi dado pelo próprio Jesus aos seus discípulos, quando lhes disse: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros."

De que maneiras práticas, portanto, podemos demonstrar esse amor de Cristo no nosso dia a dia?

1. Aceitando-nos uns aos outros sem distinção.

O amor cristão quebra barreiras sociais, preconceitos e marcas do passado. Uma das ilustrações mais belas dessa aceitação está no livro de Filémon, em que o apóstolo Paulo escreve a respeito de Onésimo. Onésimo era um escravo fugitivo que pertencia a Filémon. Alguém que, segundo os padrões da época, possuía uma posição social baixa e má reputação. Ao fugir, ele encontrou-se com Paulo, converteu-se ao evangelho e passou a cuidar do apóstolo na prisão.

Paulo envia uma carta a Filémon exortando-o a receber Onésimo não mais como um escravo, mas como um irmão amado no Senhor: “Se você me considera um parceiro, receba-o como me receberia.” Paulo eleva um marginalizado à dignidade de um irmão valioso.

Será que estamos realmente aceitando as pessoas como elas são ou tendemos a discriminar com quem nos relacionamos? O apóstolo Tiago nos adverte severamente contra a acepção de pessoas (Tiago 2:1-5). Ele contrasta o tratamento dado a um homem rico em trajes elegantes com o desdém dado a um necessitado em panos sujos. Quando fazemos distinção, tornamo-nos juízes de maus pensamentos. A Bíblia nos lembra que Deus frequentemente escolhe os desfavorecidos do mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Seu Reino.

2. Sendo pacientes e suportando-nos em amor,

A convivência humana na comunidade de fé nem sempre é simples. Em Efésios 4:1-3, Paulo exorta os crentes a viverem uma vida digna do chamado, agindo com toda a humildade, gentileza e paciência, “suportando uns aos outros com amor” e fazendo todo o possível para manter a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.

Pessoas diferentes possuem opiniões e personalidades distintas, e conflitos podem surgir. Contudo, o amor de Cristo nos ensina a exercitar a paciência, colocando a manutenção da paz e da comunhão acima da razão pessoal.

3. Perdoando-nos mutuamente e buscando a reconciliação

Quando divergências resultam em ofensas ou feridas, o amor nos chama ao perdão. Em Colossenses 3:13-14, somos instruídos: “Aguentem uns aos outros e perdoem quaisquer queixas que possam ter uns contra os outros. Perdoe, assim como o Senhor te perdoou.”

Na oração do Pai Nosso, declaramos frequentemente: “Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos ofende.” No entanto, o coração humano por vezes tenta abrir exceções. Quando Pedro perguntou a Jesus se deveria perdoar seu irmão até sete vezes, a resposta do Mestre ultrapassou qualquer limite humano: “Até setenta vezes sete.” Além disso, a Bíblia ensina que, se nos lembrarmos de que um irmão tem algo contra nós, devemos buscar a reconciliação antes mesmo de apresentarmos nossa adoração no altar.

4. Colocando as necessidades dos outros acima das nossas.

Em Gálatas 5:13-14, somos lembrados de que fomos chamados para a liberdade, mas essa liberdade não deve ser usada para satisfazer os desejos do egoísmo ou da natureza pecaminosa. Pelo contrário, devemos servir uns aos outros com amor, pois toda a lei se resume no mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” Servir ao próximo é a demonstração prática de que a graça de Deus transformou nossas prioridades.

O selo e a identidade autêntica do cristianismo são o amor. Ao olharmos para nossas vidas e atitudes diárias, devemos nos perguntar: esse selo tem sido evidente em nós? Amamos da maneira como fomos ordenados a amar? Diante da constatação das nossas falhas, nossa atitude hoje precisa ser reconhecer nossa necessidade, pedir perdão por não termos amado como deveríamos e buscar, pela graça de Deus, amar como Ele nos amou, entregando Seu único Filho para a nossa salvação. 

Rev. Liberato Pereira dos Santos

 

 


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