Entre as últimas palavras do Senhor
Jesus aos seus discípulos está uma ordem inegociável: “Ide, portanto, fazei
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo” (Mt 28:19). O batismo não é sugestão, tradição familiar nem
ritual opcional: é mandamento do Rei ressurreto. E, porque o batismo pressupõe
discípulos, ele exige profissão de fé — a declaração pública, diante da igreja
e do mundo, de que Cristo é o Senhor que salva. A pergunta do título, portanto,
não é acadêmica: é existencial.
A Escritura apresenta o batismo como
sinal e selo da nova aliança. No Pentecostes, Pedro fez uma advertência:
“Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para
perdão dos seus pecados” (Atos 2:38). E “os que aceitaram a sua palavra foram
batizados, e naquele dia agregaram-se cerca de três mil almas” (Atos 2:41).
Observe a sequência: ouvir a Palavra, crer, confessar, ser batizado e, então,
ser agregado à igreja. Ao eunuco, que perguntou: “Que impede que eu seja
batizado?”, Felipe respondeu: “É lícito, se você crê de todo o coração” (At
8:36-38). Profissão de fé e batismo andam juntos, como porta de entrada visível
no povo de Deus.
O apóstolo Paulo revela o sentido
profundo do sacramento: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte por meio do
batismo, para que também nós vivamos numa vida nova” (Rm 6:3-4). Em Colossenses
2:12, o batismo é sepultamento com Cristo e ressurreição pela fé no poder de
Deus; em Gálatas 3:27, “todos os que foram batizados em Cristo se revestiram de
Cristo”. Pedro acrescenta que o batismo “agora vos salva... como apelo a Deus
por uma boa consciência” (1 Pe 3:21): não é o rito externo que salva, mas a fé
que ele assinala.
Alguns leem as narrativas de Atos dos
Três Mil de Pentecostes, o carcereiro de Filipos, o eunuco e outras, e concluem
que só pode ser batizado quem crê. O argumento, porém, é muito claro e
inequívoco; essas passagens descrevem a primeira geração de convertidos,
adultos que saíram do paganismo ou da incredulidade. É óbvio que o adulto, para
ser batizado, precisa crer e confessar; ninguém nasce dentro da igreja vindo de
fora. Mas não se pode transformar a norma dos convertidos adultos na norma dos
filhos dos crentes, nascidos dentro da aliança. As Escrituras tratam os filhos
dos fiéis de modo diferente: a promessa da aliança foi feita “a ti e à tua
descendência” (Gn 17:7). O próprio Pedro reafirmou em seu sermão: “a promessa é
para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe” (At 2:39). Paulo,
ao se referir aos filhos dos crentes, os chama de “santos” (1 Co 7:14) e une
circuncisão e batismo na mesma realidade do selo da aliança (Cl 2:11-12). Por
isso, as casas inteiras foram batizadas (At 16:15, 33; 1 Co 1:16). Assim, o
adulto pagão crê e é batizado; o filho da aliança é batizado e, criado sob o
sinal, é chamado a crer e confessar. As passagens bíblicas, longe de negarem o
batismo infantil, apenas mostram como entram na igreja os que vêm de fora.
A Confissão de Fé de Westminster
(Capítulo XXVIII) afirma que o batismo “é um sacramento do Novo Testamento,
ordenado por Jesus Cristo” (XXVIII.1). No item 2 (XXVIII.2), especifica o
elemento exterior, a água, bem como a fórmula: batizar “em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo, por um ministro do evangelho legalmente chamado”. O
mesmo item diz que o batismo significa o ingresso na igreja visível e é “sinal
e selo do pacto da graça, da regeneração, da remissão dos pecados e da sua
entrega a Deus para andar em novidade de vida”. No item 4 (XXVIII.4), inclui
entre os batizandos “não somente os que de fato professam a fé em Cristo e
obediência a ele”, mas também os filhos de pais crentes. A Confissão, porém,
nega toda eficácia automática do rito (XXVIII.6).
Se você ouve o Evangelho e crê, o que
impede que seja batizado? Não espere sentir-se digno, ninguém é. O batismo não
é prêmio para perfeitos, mas sinal da graça para pecadores arrependidos. Não
espere a família, as circunstâncias ou o momento ideal: Cristo ordenou, a
igreja espera, a Palavra convoca. Professar a fé é renunciar à religião privada
e assumir publicamente o nome do Salvador. O eunuco não adiou; os três mil de
Pentecostes não adiaram. Por que você adiaria?
E você, que já batizou e professou sua
fé, tem vivido como nova criatura? Se o batismo significa morte e ressurreição
com Cristo, ninguém batizado pode viver como quem ainda está sepultado no velho
modo de viver (Rm 6:3-4). O batismo é lembrete permanente: você não é seu; foi
comprado, lavado, revestido de Cristo. Viva em novidade de vida, morto para o
pecado e vivo para Deus (Cl 2:12; Gl 3:27), cumprindo o “apelo a Deus por uma
boa consciência” (1 Pe 3:21) e amando a igreja na qual o batismo o ingressou,
perseverando na doutrina dos apóstolos, na comunhão e nas orações (At 2:42).
Professar a fé e ser batizado é
obediência, alegria e testemunho. Para o que ainda não crê, o caminho é
arrepender-se e crer. Para quem crê e não foi batizado, o caminho é obedecer
sem demora. Para o que já foi batizado, o caminho é viver o que o sacramento
proclama. Em todos os casos, a resposta é a mesma: Cristo, em quem fomos
sepultados e com quem fomos ressuscitados.
Rev. Liberato Pereira dos Santos

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