sábado, 31 de outubro de 2026

POR QUE DEVO PROFESSAR A FÉ E BATIZAR? 01.11.2026

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Entre as últimas palavras do Senhor Jesus aos seus discípulos está uma ordem inegociável: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19). O batismo não é sugestão, tradição familiar nem ritual opcional: é mandamento do Rei ressurreto. E, porque o batismo pressupõe discípulos, ele exige profissão de fé — a declaração pública, diante da igreja e do mundo, de que Cristo é o Senhor que salva. A pergunta do título, portanto, não é acadêmica: é existencial.

A Escritura apresenta o batismo como sinal e selo da nova aliança. No Pentecostes, Pedro fez uma advertência: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados” (Atos 2:38). E “os que aceitaram a sua palavra foram batizados, e naquele dia agregaram-se cerca de três mil almas” (Atos 2:41). Observe a sequência: ouvir a Palavra, crer, confessar, ser batizado e, então, ser agregado à igreja. Ao eunuco, que perguntou: “Que impede que eu seja batizado?”, Felipe respondeu: “É lícito, se você crê de todo o coração” (At 8:36-38). Profissão de fé e batismo andam juntos, como porta de entrada visível no povo de Deus.

O apóstolo Paulo revela o sentido profundo do sacramento: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte por meio do batismo, para que também nós vivamos numa vida nova” (Rm 6:3-4). Em Colossenses 2:12, o batismo é sepultamento com Cristo e ressurreição pela fé no poder de Deus; em Gálatas 3:27, “todos os que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo”. Pedro acrescenta que o batismo “agora vos salva... como apelo a Deus por uma boa consciência” (1 Pe 3:21): não é o rito externo que salva, mas a fé que ele assinala.

Alguns leem as narrativas de Atos dos Três Mil de Pentecostes, o carcereiro de Filipos, o eunuco e outras, e concluem que só pode ser batizado quem crê. O argumento, porém, é muito claro e inequívoco; essas passagens descrevem a primeira geração de convertidos, adultos que saíram do paganismo ou da incredulidade. É óbvio que o adulto, para ser batizado, precisa crer e confessar; ninguém nasce dentro da igreja vindo de fora. Mas não se pode transformar a norma dos convertidos adultos na norma dos filhos dos crentes, nascidos dentro da aliança. As Escrituras tratam os filhos dos fiéis de modo diferente: a promessa da aliança foi feita “a ti e à tua descendência” (Gn 17:7). O próprio Pedro reafirmou em seu sermão: “a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que estão longe” (At 2:39). Paulo, ao se referir aos filhos dos crentes, os chama de “santos” (1 Co 7:14) e une circuncisão e batismo na mesma realidade do selo da aliança (Cl 2:11-12). Por isso, as casas inteiras foram batizadas (At 16:15, 33; 1 Co 1:16). Assim, o adulto pagão crê e é batizado; o filho da aliança é batizado e, criado sob o sinal, é chamado a crer e confessar. As passagens bíblicas, longe de negarem o batismo infantil, apenas mostram como entram na igreja os que vêm de fora.

A Confissão de Fé de Westminster (Capítulo XXVIII) afirma que o batismo “é um sacramento do Novo Testamento, ordenado por Jesus Cristo” (XXVIII.1). No item 2 (XXVIII.2), especifica o elemento exterior, a água, bem como a fórmula: batizar “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, por um ministro do evangelho legalmente chamado”. O mesmo item diz que o batismo significa o ingresso na igreja visível e é “sinal e selo do pacto da graça, da regeneração, da remissão dos pecados e da sua entrega a Deus para andar em novidade de vida”. No item 4 (XXVIII.4), inclui entre os batizandos “não somente os que de fato professam a fé em Cristo e obediência a ele”, mas também os filhos de pais crentes. A Confissão, porém, nega toda eficácia automática do rito (XXVIII.6).

Se você ouve o Evangelho e crê, o que impede que seja batizado? Não espere sentir-se digno, ninguém é. O batismo não é prêmio para perfeitos, mas sinal da graça para pecadores arrependidos. Não espere a família, as circunstâncias ou o momento ideal: Cristo ordenou, a igreja espera, a Palavra convoca. Professar a fé é renunciar à religião privada e assumir publicamente o nome do Salvador. O eunuco não adiou; os três mil de Pentecostes não adiaram. Por que você adiaria?

E você, que já batizou e professou sua fé, tem vivido como nova criatura? Se o batismo significa morte e ressurreição com Cristo, ninguém batizado pode viver como quem ainda está sepultado no velho modo de viver (Rm 6:3-4). O batismo é lembrete permanente: você não é seu; foi comprado, lavado, revestido de Cristo. Viva em novidade de vida, morto para o pecado e vivo para Deus (Cl 2:12; Gl 3:27), cumprindo o “apelo a Deus por uma boa consciência” (1 Pe 3:21) e amando a igreja na qual o batismo o ingressou, perseverando na doutrina dos apóstolos, na comunhão e nas orações (At 2:42).

Professar a fé e ser batizado é obediência, alegria e testemunho. Para o que ainda não crê, o caminho é arrepender-se e crer. Para quem crê e não foi batizado, o caminho é obedecer sem demora. Para o que já foi batizado, o caminho é viver o que o sacramento proclama. Em todos os casos, a resposta é a mesma: Cristo, em quem fomos sepultados e com quem fomos ressuscitados.

Rev. Liberato Pereira dos Santos

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