A generosidade é, na verdade, uma das
realidades mais profundas e, às vezes, difíceis para nós da fé cristã. Ela não
é uma mera troca de bens materiais, mas uma revelação de nossa intimidade, de
nosso coração e de nossas prioridades. A maneira como administramos nossos
recursos é um espelho que revela aquilo que cremos e damos valor no Reino de
Deus. Vamos explorar três verdades fundamentais que transformam a prática da
contribuição em uma poderosa declaração de fé e amor.
Desde os tempos antigos, a Escritura
Sagrada estabelece a contribuição de uma porção de nossos bens como um
princípio divino. Em Levítico 27:30-32, lemos: "Dez por cento de tudo o
que vocês colherem é santo e me pertence." Esta não é uma sugestão, mas
uma afirmação clara da soberania de Deus sobre todas as coisas, incluindo
nossas posses. É um lembrete de que somos mordomos, não proprietários
absolutos. Conforme ensina R.C. Sproul, somos chamados a ser mordomos, não
proprietários. Tudo o que temos pertence a Deus, e estamos simplesmente
administrando Seus recursos. Seu pensamento nos liberta da ilusão de
autossuficiência e nos alinha com a verdade de que toda benéfica dádiva vem do
Pai das luzes.
Essa prática é, primeiramente, um ato de
adoração. Assim como dedicamos tempo e energia às coisas que valorizamos,
dedicar uma porção de nossa renda é uma forma tangível de expressar que Deus
ocupa o lugar supremo em nossas vidas. É um reconhecimento de Sua provisão e um
agradecimento por Suas bênçãos.
Em segundo lugar, é um serviço prestado
àqueles que estão no ministério. Números 18:21 revela que essa porção era
destinada aos levitas, em retribuição ao serviço que prestavam na tenda da
congregação. Hoje, essa verdade se manifesta no sustento daqueles que dedicam
suas vidas ao serviço do Evangelho, permitindo que a obra de Deus avance e
alcance mais pessoas.
Por fim, a contribuição regular serve
como um lembrete mnemônico. Deuteronômio 14:22-23 instrui o povo a reservar uma
porção de suas colheitas e primogênitos, levando-os ao lugar que o Senhor
escolheria para ser adorado. O propósito? "Isso lhes ensinará a sempre
temer o Senhor, o seu Deus." É um mecanismo divino para nos manter
conscientes de nossa dependência de Deus e de nosso compromisso com Ele em
todas as áreas da vida.
A forma como contribuímos
financeiramente é um termômetro de nossa atitude em relação à Igreja. Como a
vemos? Como um lugar ocasional de encontro, um ponto de reunião social com
conotações espirituais? Ou a enxergamos como a casa de Deus, o lugar onde Ele
reside para realizar as maravilhas de Seu poderoso amor? É o instrumento da
graça divina, onde pecadores podem ser salvos, corações quebrantados encontram
consolo, enfermos podem encontrar cura e desesperados encontram esperança?
A paixão de Jesus por Sua casa é
evidente em João 2:17: "O zelo pela tua casa me consumirá." Essa
mesma paixão, expressa no Salmo 69:9, nos desafia a refletir sobre nosso
próprio zelo. Qual é o nosso comprometimento em investir em Deus e na casa de
Deus? Nossa contribuição financeira não se resume a uma doação; é uma afirmação
de confiança na missão e no propósito da Igreja.
Na visão do teólogo João Calvino, Deus
exige não apenas a mão, mas também o coração em todas as nossas ofertas. Isso
implica que a motivação por trás da doação é tão importante quanto a doação em
si. Não é apenas o cumprimento de uma norma, mas uma demonstração genuína de
amor e dedicação.
As promessas divinas para aqueles que
investem em Seu Reino são abundantes. Provérbios 3:9-10 declara: "Honre o
Senhor com os seus bens e com as primícias de toda a sua renda; então os seus
celeiros ficarão repletos de fartura." E em Malaquias 3:10, Deus nos
convida a um desafio de fé: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro,
para que haja alimento em minha casa; e ponham-me à prova nisto, diz o Senhor
dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós
bênçãos abundantemente." Deus não teme o teste da generosidade.
Em última análise, a contribuição
financeira é uma expressão significativa do nosso amor por Deus e pelo próximo.
Em Mateus 6:21, Jesus disse: "Pois onde estiver o seu tesouro, aí estará
também o seu coração." Nossas finanças e nosso coração estão profundamente
conectados. A prova de nossas verdadeiras afeições está onde colocamos
os nossos recursos.
É crucial entender que as contribuições
nunca são tomadas; elas são oferecidas e recebidas. Quando algo é tomado, não
há liberdade, não há alegria. Por isso, 2 Coríntios 9:7-8 enfatiza: "Cada
um de vocês deve decidir por si mesmo quanto dar. Mas não se sintam culpados
por terem que dar, nem se sintam obrigados a dar. Deus ama aqueles que amam
dar." A generosidade verdadeira brota de um coração alegre e voluntário,
não de um senso de obrigação ou arrependimento.
Podemos identificar quatro tipos de
contribuintes: não participantes: aqueles que ainda não se engajaram
nessa jornada de fé e precisam ser convidados a fazer parte da história. Multidão
que aplaude: aqueles que elogiam a generosidade alheia, mas contribuem
pouco ou nada. Fariseus: aqueles que dão por obrigação, com um espírito
puramente mecânico, buscando reconhecimento. Viúva: Aqueles que dão sem
reservas, com um coração pleno de fé e amor, independentemente do valor.
A questão final é pessoal e profunda:
que tipo de contribuinte você é? Sua resposta não apenas revela sua fé; ela a
constrói e a fortalece. Que possamos, com um coração alegre e voluntário,
investir no Reino, declarando nosso amor a Deus e ao próximo.
Rev. Liberato Pereira dos Santos
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