Jo 13:35
A vida cristã não é apenas uma coleção
de comportamentos corretos. A teologia bíblica nos diz que Deus não está
satisfeito com ações externas sem conteúdo interior: ele vê o coração, a
intenção, a atitude por trás de cada gesto. É aí que se encontra a profundidade
do chamado divino: não é suficiente fazer o certo, mas é necessário fazê-lo com
a atitude e a intenção corretas, as quais devem estar enraizadas no amor
verdadeiro a Deus.
Quando o apóstolo Paulo, em Romanos
12:1-2, recomenda a apresentação dos nossos corpos como um sacrifício vivo,
santo e aceitável a Deus, não o faz com vista a uma simples conformação no
padrão comportamental. Ele fala de uma transformação radical da mente. A mente
renovada é a mente cativada pela graça irresistível de Deus, a qual pensa e
discerne em conformidade com os valores do reino celestial; assim, não é
moldada segundo os valores do presente século. Sem essa renovação interna,
qualquer ação nossa, por mais digna que pareça aos olhos de homens, não tem
autenticidade nem propósito divino.
Em seu Comentário sobre Romanos, João
Calvino destaca a profundidade dessa mudança ao tratar deste capítulo
fundamental: "Pelo conhecimento de Deus e de Cristo, em que se fundamenta
a salvação, a alma é, de certa forma, regenerada para uma vida celestial;
porém, pelas santas exortações e pela doutrina, essa vida é ordenada e
regulada". (Capítulo 12, página 211). A piedade não é apenas um exercício
intelectual ou uma tarefa a ser cumprida, mas uma regeneração que organiza e
controla toda a vida. Nesse contexto, nossas ações refletem a realidade de
nossa conversão e a obra santificadora do Espírito Santo em nós. Esses
relacionamentos não ocorrem por acaso. Eles demandam intencionalidade, tempo e
disposição para se abrir. Porém, quando acontecem, mudam vidas. Transformam a
sobrevivência em prosperidade espiritual.
A motivação que deve impulsionar cada
ação cristã é o amor: primeiro a Deus, depois ao próximo. Não é
sentimentalismo, mas compromisso radical. Quando Jesus resumiu toda a Lei em
dois mandamentos (Mateus 22:37-39), estabeleceu que o amor é a medida de nossa
obediência. E como nos lembra 1 Coríntios 13, sem amor, nossas obras são apenas
ruído vazio.
Este amor requer compromisso. Amar é
cuidar, oferecer, ser leal. Isso implica que nossas atitudes em relação a nós
mesmos devem espelhar essa seriedade: amar de forma sincera, repudiar o mal de
maneira genuína e nos apegarmos ao que é bom. Não podemos simular devoção; a
hipocrisia, como um "ator interpretando um papel", é o oposto do amor
genuíno.
Antes de qualquer ação perceptível, é
necessário cultivar nossa integridade espiritual. Isso implica uma avaliação
constante de nossas motivações: amamos as pessoas pelo que elas são em Cristo
ou pelo que elas possuem e pelo seu poder? Desenvolvemos uma repulsa autêntica
ao mal ou nos aproximamos perigosamente de seus limites?
A sociedade atual festeja o escândalo e
aplaude a transgressão. No entanto, o verdadeiro cristão deve se afastar do mal
com a mesma determinação com que se dedica ao bem. Como aponta John MacArthur,
o ódio ao mal é o oposto do amor verdadeiro; não é possível amar de forma
autêntica sem repudiar aquilo que causa destruição.
Na comunidade cristã, nossas ações devem
espelhar o amor fraternal—aquele que persiste apesar das imperfeições. Ser
dedicado aos irmãos implica estar presente tanto nos momentos bons quanto nos
ruins, não somente quando é conveniente. Devemos priorizar os outros em honra,
servir com dedicação e entusiasmo, e contribuir para as necessidades dos
santos.
Além disso, devemos abençoar mesmo
quando somos tratados injustamente, ter compaixão e manter uma atitude humilde
em relação a todos. Nenhuma posição de prestígio justifica a perda da
humildade. A harmonia da igreja depende de ações que colocam o próximo acima de
si mesmo.
Por fim, nossa responsabilidade abrange
os perdidos. Nesse contexto, a atitude adequada é fundamental: em vez de
retribuir o mal com o mal, devemos refletir sobre como nossas ações serão
percebidas por todos. Não é uma questão de agradar o mundo, mas de refletir a
santidade de Cristo de maneira que nosso testemunho seja incontestável.
Devemos buscar a paz "na medida em
que depender de nós", admitindo que nem sempre será possível, mas que a
responsabilidade é nossa. A vingança é de Deus; a nós resta a mansidão
estratégica, que não abdica da verdade, mas também não se entrega ao mal.
Uma vida cristã autêntica é aquela cujas
atitudes estão em harmonia com a graça soberana de Deus. Não agimos para obter
justificação, mas porque já fomos justificados. Atitudes de amor verdadeiro,
repulsa ao mal, humildade e compaixão são provas visíveis de uma mudança
interna que somente Deus pode efetuar.
Que nossas ações sejam sempre precedidas
por atitudes que honrem a Deus e espelhem o caráter de Cristo.
Rev. Liberato Pereira dos Santos
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