quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O AMOR ANTES DA AÇÃO: A PRIMAZIA DAS ATITUDES NO VIVER CRISTÃO 18.01.2026

+ No comment yet

 


Jo 13:35

A vida cristã não é apenas uma coleção de comportamentos corretos. A teologia bíblica nos diz que Deus não está satisfeito com ações externas sem conteúdo interior: ele vê o coração, a intenção, a atitude por trás de cada gesto. É aí que se encontra a profundidade do chamado divino: não é suficiente fazer o certo, mas é necessário fazê-lo com a atitude e a intenção corretas, as quais devem estar enraizadas no amor verdadeiro a Deus.

Quando o apóstolo Paulo, em Romanos 12:1-2, recomenda a apresentação dos nossos corpos como um sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, não o faz com vista a uma simples conformação no padrão comportamental. Ele fala de uma transformação radical da mente. A mente renovada é a mente cativada pela graça irresistível de Deus, a qual pensa e discerne em conformidade com os valores do reino celestial; assim, não é moldada segundo os valores do presente século. Sem essa renovação interna, qualquer ação nossa, por mais digna que pareça aos olhos de homens, não tem autenticidade nem propósito divino.

Em seu Comentário sobre Romanos, João Calvino destaca a profundidade dessa mudança ao tratar deste capítulo fundamental: "Pelo conhecimento de Deus e de Cristo, em que se fundamenta a salvação, a alma é, de certa forma, regenerada para uma vida celestial; porém, pelas santas exortações e pela doutrina, essa vida é ordenada e regulada". (Capítulo 12, página 211). A piedade não é apenas um exercício intelectual ou uma tarefa a ser cumprida, mas uma regeneração que organiza e controla toda a vida. Nesse contexto, nossas ações refletem a realidade de nossa conversão e a obra santificadora do Espírito Santo em nós. Esses relacionamentos não ocorrem por acaso. Eles demandam intencionalidade, tempo e disposição para se abrir. Porém, quando acontecem, mudam vidas. Transformam a sobrevivência em prosperidade espiritual.

A motivação que deve impulsionar cada ação cristã é o amor: primeiro a Deus, depois ao próximo. Não é sentimentalismo, mas compromisso radical. Quando Jesus resumiu toda a Lei em dois mandamentos (Mateus 22:37-39), estabeleceu que o amor é a medida de nossa obediência. E como nos lembra 1 Coríntios 13, sem amor, nossas obras são apenas ruído vazio.

Este amor requer compromisso. Amar é cuidar, oferecer, ser leal. Isso implica que nossas atitudes em relação a nós mesmos devem espelhar essa seriedade: amar de forma sincera, repudiar o mal de maneira genuína e nos apegarmos ao que é bom. Não podemos simular devoção; a hipocrisia, como um "ator interpretando um papel", é o oposto do amor genuíno.

Antes de qualquer ação perceptível, é necessário cultivar nossa integridade espiritual. Isso implica uma avaliação constante de nossas motivações: amamos as pessoas pelo que elas são em Cristo ou pelo que elas possuem e pelo seu poder? Desenvolvemos uma repulsa autêntica ao mal ou nos aproximamos perigosamente de seus limites?

A sociedade atual festeja o escândalo e aplaude a transgressão. No entanto, o verdadeiro cristão deve se afastar do mal com a mesma determinação com que se dedica ao bem. Como aponta John MacArthur, o ódio ao mal é o oposto do amor verdadeiro; não é possível amar de forma autêntica sem repudiar aquilo que causa destruição.

Na comunidade cristã, nossas ações devem espelhar o amor fraternal—aquele que persiste apesar das imperfeições. Ser dedicado aos irmãos implica estar presente tanto nos momentos bons quanto nos ruins, não somente quando é conveniente. Devemos priorizar os outros em honra, servir com dedicação e entusiasmo, e contribuir para as necessidades dos santos.

Além disso, devemos abençoar mesmo quando somos tratados injustamente, ter compaixão e manter uma atitude humilde em relação a todos. Nenhuma posição de prestígio justifica a perda da humildade. A harmonia da igreja depende de ações que colocam o próximo acima de si mesmo.

Por fim, nossa responsabilidade abrange os perdidos. Nesse contexto, a atitude adequada é fundamental: em vez de retribuir o mal com o mal, devemos refletir sobre como nossas ações serão percebidas por todos. Não é uma questão de agradar o mundo, mas de refletir a santidade de Cristo de maneira que nosso testemunho seja incontestável.

Devemos buscar a paz "na medida em que depender de nós", admitindo que nem sempre será possível, mas que a responsabilidade é nossa. A vingança é de Deus; a nós resta a mansidão estratégica, que não abdica da verdade, mas também não se entrega ao mal.

Uma vida cristã autêntica é aquela cujas atitudes estão em harmonia com a graça soberana de Deus. Não agimos para obter justificação, mas porque já fomos justificados. Atitudes de amor verdadeiro, repulsa ao mal, humildade e compaixão são provas visíveis de uma mudança interna que somente Deus pode efetuar.

Que nossas ações sejam sempre precedidas por atitudes que honrem a Deus e espelhem o caráter de Cristo.

Rev. Liberato Pereira dos Santos



Disponibilizamos o boletim informativo da IPBN, a fim de que você fique por dentro daquilo que Deus está fazendo em/através da nossa comunidade. Boa leitura. Click no link abaixo e faça o download:https://mega.nz/file/V45QEACZ#xb4I8BL4tuo38FGj2BQ9P0hcOya8A0VGFiSSSxDP2eM



 


Postar um comentário