A vida cristã genuína não se dá em
auditórios cheios ou em ocasiões específicas de celebração coletiva. Ela
prospera nos espaços íntimos onde se desenvolvem conexões autênticas, onde as
máscaras caem e as vidas se entrelaçam. Os pequenos grupos não representam um
programa extra na agenda da igreja; eles são, de fato, o DNA pelo qual Deus nos
convoca a viver como comunidade do Novo Testamento. Esse modelo não surge de
tendências modernas, mas da estrutura bíblica que demonstra como Deus, em sua
sabedoria infinita, planejou a vida da igreja para prosperar.
Os imperativos relacionais são muitos no
Novo Testamento, a exemplo de "Amem-se uns aos outros",
"Exortem-se uns aos outros", "Carreguem os fardos uns dos
outros", e "confessem seus pecados uns aos outros". Isso não é
uma consideração opcional, mas é um princípio essencial da fé cristã. No
entanto, há uma verdade desconfortável que precisamos encarar: é inviável
atender a esses comandos em grandes encontros corporativos.
Quando nos encontramos aos domingos,
colhemos a verdade, a inspiração e a comunicação de confiança, que são
verdadeiros presentes, sem dúvida. Mas, nessa dinâmica, não conseguimos
apreender ao máximo as lutas dos nossos irmãos, nem orar especificamente pelas
dores deles ou oferecer o encorajamento que emerge do conhecimento íntimo do
que alguém realmente é. A Escola Dominical, as reuniões de oração e os cultos
são importantes, mas nenhum deles entra no lugar daquilo que ocorre quando as
pessoas se encontram em pequenos grupos, nos quais as vidas autênticas podem
ser abertas.
Os mandamentos do Novo Testamento se
tornam vivos nos pequenos grupos. É nesse ponto que "exortem-se uns aos
outros todos os dias" deixa de ser uma ideia teológica e passa a ser uma
ação concreta. É nesse lugar que o encorajamento não provém de um púlpito
distante, mas do coração de alguém que entende sua trajetória, suas tentações,
suas conquistas e suas derrotas.
Hebreus 3:12-14 traz uma realidade que
muitos preferem não considerar: um cristão pode se afastar de Deus. A falsidade
do pecado é tão sutil e sedutora que pode endurecer nossos corações de forma
imperceptível. Iniciamos apenas "sobrevivendo", percorremos os
movimentos da vida cristã sem paixão, sem vitalidade, sem o fervor que surge ao
testemunhar Deus em ação.
Qual é o remédio divino contra essa
ilusão? Relações pessoais em que nos incentivamos diariamente. Não é o pastor
que faz isso, somos nós, o irmão ou irmã ao nosso lado, que nos conhece bem o
suficiente para perceber quando começamos a nos distanciar. Deus, em sua
infinita sabedoria, não nos abandonou nessa luta. Ele nos concedeu uns aos
outros.
A apatia espiritual é especialmente
arriscada, pois é tão aceita quanto o cristianismo convencional. Muitas pessoas
vivem como cristãos culturais, mantendo uma lembrança de uma decisão anterior
tomada em relação a Cristo, porém sem evidenciar frutos em suas vidas.
Precisamos de pessoas que nos amem o bastante para nos fazer encarar essa
verdade, que nos motivem a nadar contra a maré de um mundo que nos seduz
constantemente para a apatia.
Os versículos de Hebreus
10:24-25 nos convocam a "pensar em como podemos motivar uns aos outros a
praticar o amor e as boas ações". Isso vai além de apenas perseverar—é ser
levado a realizar atos extremos de amor. Como isso ocorre? Quando pessoas que
amam Cristo se encontram e, por meio de suas relações, inspiram amor nos
demais.
Os primeiros cristãos, como retratado em
Hebreus 10:32-34, demonstravam solidariedade com os encarcerados, aceitavam de
bom grado a apreensão de seus bens e permaneciam firmes diante da perseguição.
Esse tipo de amor radical não surge do nada, mas de comunidades pequenas em que
as pessoas se conhecem.
Pense no que Deus poderia inspirar se
realmente nos comprometêssemos com isso. Pense nos pecados escondidos dos quais
Deus poderia nos libertar, nas batalhas que poderíamos vencer juntos e nas
ações de amor radical que poderíamos realizar se estivéssemos em pequenos
grupos que nos amassem, nos cuidassem e se dedicassem ao nosso crescimento
espiritual.
Para que os pequenos grupos cumpram seu
propósito, precisamos de relacionamentos que sejam pessoais (compartilhando
alegrias e tristezas, não apenas informações), profundos (indo além da
superficialidade), solidários (aliviando as cargas uns dos outros com amor
genuíno) e encorajadores (ajudando-nos a permanecer satisfeitos em Deus).
Esses vínculos não ocorrem por acaso.
Eles demandam intencionalidade, tempo e disposição para se abrir. Porém, quando
acontecem, mudam vidas. Transformam a sobrevivência em prosperidade espiritual.
Deus nos convoca à pequenez não apenas
como um programa, mas como um estilo de vida, como um componente essencial do
nosso DNA enquanto igreja. Você não pode crescer espiritualmente de forma
isolada. Você não consegue vencer a fraude do pecado por conta própria. Você
precisa de pessoas que o amem, que o compreendam, que o incentivem e que
estejam ao seu lado.
Se a sua igreja é como uma segunda casa,
você deveria participar de algum tipo de grupo pequeno. E se não estiver, aqui
está o convite: venha vivenciar o que Deus planejou para você desde o início,
uma comunidade verdadeira, genuína e em desenvolvimento, na qual você é
reconhecido, amado e incentivado a florescer em Cristo.
Rev. Liberato Pereira dos Santos
Disponibilizamos o boletim informativo da IPBN, a fim de que você fique por dentro daquilo que Deus está fazendo em/através da nossa comunidade. Boa leitura. Click no link abaixo e faça o download:https://mega.nz/file/5sJkyQ5R#tStbezo21j-Rc9iuXnWBWMQrZNIJtGU8q4NY_WZGTVk
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