terça-feira, 29 de setembro de 2026

AS CARACTERÍSTICAS DO CIDADÃO DO REINO 27.09.2026

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Mateus 5.1-12

Poucos trechos das Escrituras merecem tanta atenção quanto os três capítulos que inauguram o que chamamos de Sermão da Montanha. Ali fala o nosso supremo Pastor, o Cabeça da igreja, Aquele que falava como nunca homem falou e por cujas palavras seremos julgados no último dia. Se desejamos saber que tipo de pessoa o crente deve ser, que caráter cristão devemos almejar e que hábitos mentais cultivar, precisamos meditar com frequência nas bem-aventuranças — as oito pedras fundamentais do Reino.

A porta de entrada é a humildade. Jesus chama de bem-aventurados os pobres de espírito: os que estão profundamente convictos da própria pecaminosidade diante de Deus, que não se julgam sábios aos próprios olhos nem se fantaziam de que nada precisam. No alfabeto do cristianismo, a humildade é a primeira letra. Devemos começar bem por baixo se quisermos atingir grandes alturas espirituais.

Segue-se o choro. Bem-aventurados os que se entristecem por causa do pecado, os que se lamentam diariamente por suas falhas e se preocupam mais com o pecado do que com qualquer outra coisa nesta terra. O sacrifício agradável a Deus é o espírito quebrantado (Sl 51.17). E a promessa é segura: um dia não derramarão mais lágrimas, "porque serão consolados".

O terceiro traço é a mansidão. Os mansos têm espírito paciente e satisfeito; dispõem-se a ter pouca honra neste mundo, suportam injustiças sem guardar ressentimentos e, como Lázaro na parábola, contentam-se em esperar as boas coisas que Deus tem reservadas. A longo prazo, os mansos jamais são os perdedores: chegará o dia em que reinarão sobre a terra.

A eles se soma a fome e sede de justiça. O cidadão do Reino anela, acima de tudo, ajustar-se à mente do Senhor. Não busca primariamente riqueza, poder ou erudição, mas santidade. E um dia terá o suficiente do que deseja: acordará revestido à semelhança de Deus e será saciado (Sl 17.15).

A misericórdia marca o caráter do cidadão do Reino. Ele se mostra compassivo para com seus semelhantes, tem compaixão de quantos sofrem, seja pelo pecado ou por adversidades,  e se esforça ternamente por aliviar tais sofrimentos, praticando o bem. Tanto nesta vida quanto na vindoura, terá uma rica colheita.

Quinto, a pureza de coração. O bem-aventurado não se contenta com conduta externa correta nem com mera exibição de religiosidade; esforça-se por manter o coração e a consciência isentos de ofensa, servindo a Deus com o homem interior. "O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração" (1 Sm 16.7). Quanto mais a mente se volta para as coisas espirituais, maior a comunhão com Deus.

Sexto, a vocação de pacificador. O cidadão do Reino usa sua influência pessoal para promover a paz e o amor, em público e em particular, ensinando aquele evangelho cujo cumprimento da lei é o amor (Rm 13.10). Ao fazê-lo, realiza a mesma obra que o Filho de Deus iniciou em sua primeira vinda e que consumará em sua segunda.

Por fim, a perseguição por causa da justiça. Bem-aventurados os zombados, desprezados e abusados apenas porque vivem como verdadeiros crentes. Esses bebem do mesmo cálice de que o Mestre bebeu. Eles o confessam perante os homens, e Ele os confessará perante o Pai e os anjos no último dia. "É grande o vosso galardão nos céus."

Três lições brotam dessas sete verdades. Primeira: os princípios de Cristo são inteiramente contrários aos deste mundo. O mundo despreza exatamente as virtudes que Jesus exaltou, enquanto cultiva orgulho, mundanismo, formalismo, egoísmo e falta de amor, tudo o que o Senhor condenou. Segunda: quão tristemente diferente da vida de muitos professos cristãos é o ensino do Mestre. Há razões para temer que muitos que frequentam os cultos sejam ignorantes do que o Novo Testamento contém. Terceira, e acima de tudo: quão santos e espirituais todos os crentes deveriam ser. O cristianismo é eminentemente uma religião prática. A sã doutrina é a raiz e o fundamento, mas o seu fluxo deve ser sempre uma vida santa.

Marquemos bem essas sete pedras fundamentais. Nelas está a sabedoria de descrever o verdadeiro cidadão do Reino,  e o alvo que nenhum crente deveria rebaixar.

Rev. Liberato Pereira dos Santos

 

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