terça-feira, 8 de setembro de 2026

UM MODELO DE VIDA EQUILIBRADA 06.09.2026

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Marcos 1:32–35

Uma das coisas mais difíceis na vida religiosa é manter o verdadeiro equilíbrio entre serviço e devoção, entre trabalho e oração. Exemplos de falha em preservar esse equilíbrio surgem rapidamente à mente. Por um lado, há o monge que passa os dias em sua cela de clausura, tendo sacrificado o serviço em prol da devoção; a sua é uma vida desequilibrada em uma direção. Por outro lado, há o homem tão ocupado com suas múltiplas atividades e obras filantrópicas que não tem tempo para orar; a sua é uma vida desequilibrada na direção oposta.

Nesse sentido, as palavras de John Stott ressoam com precisão: "Fundamental a toda liderança e ministério cristão é uma humilde relação pessoal com o Senhor Jesus Cristo, devoção a Ele expressa em oração diária, e amor a Ele expresso em obediência diária." (Tim Chester, Stott on the Christian Life). Devoção sem serviço é estéril; serviço sem devoção é insustentável.

Mas que vida maravilhosamente equilibrada o texto supracitado revela! Os versículos 32, 33 e 34 nos mostram Cristo em meio às Suas atividades; o versículo 35 O mostra em meio à Sua devoção. À noite, Ele está ocupado com a multidão; de manhã, antes da aurora, Ele está a sós com Deus. A piedade de Cristo resultava em serviço prático. Seu serviço prático era nutrido e sustentado por Sua piedade. Na vida de nosso Senhor, o serviço e a comunhão, o trabalho e a oração, cada um tinha o seu devido lugar. A Sua foi uma vida perfeitamente equilibrada.

Aqui temos, para começar, um retrato de Cristo em meio às Suas atividades. Que sábado foi aquele na história de Cristo! Quão repleto de trabalho! Primeiramente, Ele pregou na sinagoga; e jamais esqueçamos que a própria vida de Cristo estava presente em cada sermão que Ele pregou. Depois, Ele expulsou o espírito maligno do endemoninhado. Em seguida, após deixar a sinagoga, houve mais um apelo à Sua compaixão, e Ele curou a sogra de Simão. E que nunca nos esqueçamos de que o que é verdade sobre os sermões de Cristo também o é sobre os Seus milagres: eles exigiam um custo. Poder, diz-nos um dos evangelistas, emanava d'Ele (Lucas 8:46). Cada ato de cura consumia parte de Sua vitalidade. Custava-Lhe vida restaurar a vida aos outros.

Ora, sendo assim, Ele certamente estava um Cristo exausto naquela noite de sábado. O dia Lhe exigira muito em termos de desejo, compaixão e empatia, e Ele poderia legitimamente reivindicar o merecido descanso. Mas não lemos sobre descanso, e sim sobre atividades novas e custosas. "À tarde, ao pôr do sol, trouxeram-Lhe todos os enfermos e os endemoninhados. E toda a cidade estava reunida à porta" (vers. 32, 33).

Toda a cidade à porta e, lá dentro, um Cristo exausto! Contudo, Ele não faz menção ao cansaço. Saindo da casa de Simão, Ele vai ao encontro daquela multidão aflita, levando consigo cura e bênção. Que atividade incansável! Cristo doou-Se inteiramente ao serviço dos homens. Ele vivia sob a pressão de uma grande urgência. "É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar" (João 9:4).

E, lado a lado com esse retrato de Cristo em meio às Suas atividades, temos um retrato de Cristo em meio à Sua devoção. "De manhã, muito cedo, ainda escuro, levantou-Se, saiu e foi para um lugar deserto; e ali orava" (vers. 35). Existe uma ligação estreitíssima e íntima entre um retrato e o outro.

Num estaleiro de engenharia, vê-se inúmeras máquinas ocupadas em diversos tipos de trabalho, a maioria delas produzindo um ruído considerável no processo. Mas há, em algum lugar daquele complexo, uma sala quase silenciosa, onde um grande motor funciona de maneira suave e constante. "Esta", diria o engenheiro, "é a sala de força." Naquela sala silenciosa, descobre-se o segredo de toda aquela atividade nas oficinas: sem o motor, as máquinas parariam; sem a força, o trabalho cessaria. Assim é na vida de nosso Senhor. Nos versículos 32 a 34, Marcos nos mostra as muitas atividades de Cristo: pregando, curando, expulsando demônios, servindo. Mas no versículo 35, ele nos conduz à "sala de força": "De manhã, muito cedo, ainda escuro, levantou-Se, saiu e foi para um lugar deserto; e ali orava." Por trás de toda aquela atividade incansável na sinagoga e nas ruas, havia uma vida de oração secreta. Naquela comunhão silenciosa com o Pai, Jesus encontrava a força que movia todo o Seu ministério. Sem a sala de força, nenhuma máquina funciona; sem a oração, nenhum ministério subsiste. Em comunhão com Seu Pai, Jesus se revigorava e se renovava para continuar Sua labuta entre os homens. "Muito antes de amanhecer" — Jesus reservava tempo para a oração! Ele o arrancava das horas de sono.

Que lição prática sobre a necessidade indispensável da oração! Reconhecemos a obrigação de servir nos dias de hoje e, consequentemente, tornamo-nos muito ocupados. Mas será que estamos negligenciando a "sala de força"? Precisamos manter o equilíbrio. Jamais devemos ficar ocupados demais para orar. Como bem expressou Tim Keller: "Orar é aceitar que somos, e sempre seremos, inteiramente dependentes de Deus para tudo." (Prayer: Experiencing Awe and Intimacy with God). A oração não é um luxo para os que têm tempo livre; é reconhecer de que sem Deus, nada podemos.

Rev. Liberato Pereira dos Santos

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